[[legacy_image_87934]] Com a alta de um ponto percentual da taxa básica de juros, a Selic, cheque especial, cartão de crédito e empréstimos vão ficar mais caros, segundo analistas ouvidos por A Tribuna. Isso porque a Selic é a “mãe” das taxas de juros no País e seu aumento reflete em toda uma cadeia de crédito. O economista e pesquisador da Unicamp Felipe Queiroz diz que a Selic é a base dos bancos para definir que taxa vão cobrar pelo crédito ao consumidor na forma de cartão, limite, consignado, financiamento da casa própria e veículos. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A Selic é a base dos títulos públicos – o investidor, ao invés de consumir, empresta dinheiro ao governo em troca de juros. Além disso, a Selic define os juros básicos do setor privado, o CDI, que é o certificado de depósitos bancários, e que costuma ficar 0,10 ponto abaixo da taxa do BC. Esse CDI são os juros cobrados pelos empréstimos entre um banco e outro, um piso para definir a taxa de todos os outros créditos dos bancos. O economista e pesquisador do FGV Ibre, Matheus Peçanha, explica que a alta da Selic tem dois efeitos principais: reduzir o acesso ao crédito, mas também estimular a taxa da poupança, já que a renda fixa, como Tesouro Direto e até mesmo a caderneta, ficam mais rentáveis. “O encarecimento leva à redução do consumo na ponta, principalmente de bens duráveis, como carro e casa”, diz. Peçanha diz que a alta da Selic tem outro efeito: atrapalhar a vida do pequeno empresário, que depende do microcrédito em bancos tradicionais. “Isso pode levar a menos demanda por trabalho das empresas, portanto, mais desemprego. A empresa grande, listada em bolsa, tem mais opção de crédito”. Além disso, ele explica que os efeitos de uma alta na Selic não são imediatos para cessar o consumo. Os reflexos são sentidos após seis ou sete meses. Baixa renda Para Queiroz, a autonomia do BC tornou a alta da Selic a única opção para controlar a inflação. No entanto, essa opção não é a mais efetiva para reduzir os preços de itens básicos, como os da alimentação. Segundo Queiroz, o efeito nas famílias de baixa renda é maior, porque a maioria é endividada e o dinheiro é usado, essencialmente, em itens básicos de alimentação, que estão mais caros por conta da inflação. Somado a outras altas, como da energia e gasolina, o custo de vida das famílias de baixa renda fica ainda mais comprometido.