[[legacy_image_283099]] O mecânico industrial aposentado Deivison Ruiz quer comprar um carro. Mas, com o nome sujo, não pode realizar seu desejo. Em pouco mais de 10 minutos, a possibilidade voltou a ocupar seu pensamento. A dívida que o atormenta há quatro anos está a um passo de ser extinta. E a vida financeira dele, enfim, se desenrolar. A dívida, de R\$ 20 mil, virou um boleto de R\$ 1 mil, que seria pago o quanto antes. Ele é um dos que passaram pelo caminhão-agência da Caixa Econômica Federal, que passou a sexta-feira (21) na Praça das Bandeiras, no Gonzaga, em Santos, para atender os inadimplentes que planejam quitar seus débitos com a instituição pro meio do Desenrola Brasil, programa do Governo Federal que visa tirar pessoas da lista de negativados e retomar o potencial de consumo da população. A estimativa do Ministério da Fazenda é que 70 milhões de pessoas sejam beneficiadas pelo programa. “A Caixa tem cerca de 17 milhões de contratos que podem ser renegociados. Até quarta-feira, a gente já renegociou cinquenta milhões em valores de dívidas em todo o País. Você vai ter milhares de pessoas voltando ao mercado de crédito com seus nomes fora dos cadastros restritivos”, explica a vice-presidente de varejo da instituição, Cristina Farah. Ontem, as agências abriram uma hora antes exclusivamente para atendimento a este público. “Para essas pessoas, é preciso dar uma atenção mesmo, um foco especial. Porque, às vezes, a pessoa até está constrangida de entrar na agência com todo o público. Então, ela teve um horário diferenciado”, acrescenta a vice-presidente da Caixa. [[legacy_image_283100]] Segundo dados de junho da Serasa, o Estado de São Paulo tem 45,61% da população adulta inadimplente. No Brasil, o valor médio da dívida, por pessoa, é de R\$4.846,15. E a maior parte das dívidas (31,13%) é com bancos/cartões de crédito. “Meu problema foi com o consignado, que não foi pago. Até procurei o INSS, e não batia a numeração junto à Caixa. Como vi essa oportunidade, vim para resolver. A gente parcelou, num valor que dá para pagar. Vou sair ganhando, com certeza”, conta o morador da Vila Valença, em São Vicente. Também é o caso do especialista em logística portuária Marcelo Menezes Santana, de 55 anos. Ele foi até a agência móvel fazer uma consulta sobre como poderia transformar uma dívida de empréstimo com o banco de quase R\$ 2 mil em algo possível de ser pago. Os R\$ 700 reais propostos animaram o morador do campo Grande, em Santos. “É um ganho danado. Fiz um empréstimo bancário, não consegui quitar porque estava desempregado, e, agora que vou voltar trabalhar, quero quitar par voltar zerado”, comemora. Condições A Caixa e outros bancos oferecem, desde a última segunda-feira, condições especiais de negociação para os clientes que se enquadram na Faixa 2 do Desenrola Brasil. São aqueles que possuem renda de até R\$ 20 mil. Os débitos devem estar com registro ativo e terem sido inscritos nos cadastros de inadimplentes até o dia 31 de dezembro de 2022. As contratações da renegociação devem ser firmadas até 31 de dezembro de 2023 e o parcelamento é de 12 a 120 vezes. A exclusão dos cadastros restritivos se dará em até 5 dias úteis após a efetivação da renegociação. Além disso, os débitos de até R\$ 100 serão excluídos dos cadastros externos de restrição de crédito. No entanto, a dívida não deixa de existir, e o cliente pode aproveitar as condições especiais para negociar estas dívidas de pequeno valor. Cristina Farah faz um alerta contra os golpes que já começam a surgir envolvendo o Desenrola Brasil. “O Banco Central fez essa orientação, assim como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). É necessário que os interessados devem procurar sempre os canais oficiais”, pontua. No caso da Caixa, são o site Caixa Desenrola; o Whatsapp 0800-104-0104; o Alô Caixa (4004-0104) e o aplicativo Caixa Tem (opção Desenrola Brasil). ExemploA possibilidade de entrar no Desenrola Brasil atraiu até quem não é correntista da Caixa, ao caminhão-agência no Gonzaga, como o pedreiro Anderson Garcia, de 42 anos. Ele, mesmo sem poder ser atendido, conta que se enrolou em empréstimos “a juros absurdos” e sonha com o fim do pesadelo do nome com restrições. “É o cotidiano do trabalhador brasileiro. Estava com umas dívidas, peguei empréstimo, virou uma bola de neve, com juros sobre juros, e acabei por não pagar. Uma divida de R\$ 1 mil virou R\$ 11 mil. Espero que dê certo, porque todo pai de família almeja ter o nome limpo, sendo exemplo para os filhos”, explica. GolpeCristina Farah faz um alerta contra os golpes que já começam a surgir envolvendo o Desenrola Brasil. "O Banco Central fez essa orientação, assim como a Federação Brasileira de Bancos (Febraban). É necessário que os interessados devem procurar sempre os canais oficiais", pontua. No caso da Caixa, são o site Caixa Desenrola; o Whatsapp 0800-104-0104; o Alô Caixa (4004-0104) e o aplicativo Caixa Tem (opção Desenrola Brasil).