[[legacy_image_92857]] O uso dos dados do Cadastro Positivo, que traz o histórico dos pagamentos em dia de cada consumidor, ao contrário do popular “nome sujo”, facilita o acesso a crédito mais barato, na avaliação de especialistas ouvidos por A Tribuna. Há dois anos, a inclusão do consumidor no Cadastro Positivo é automática – caso não queira ser incluído nessa base de dados, é preciso solicitar a exclusão. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O Cadastro Positivo motivou a mudança na classificação de um dos pontos mais relevantes para avaliação da vida financeira de cada um – o score. Esses pontos, que vão de zero a mil, são calculados por várias instituições. A Serasa lançou uma versão 2.0 do seu modelo, com alterações de classificação. Antes, o sistema de análise de crédito da Serasa dava mais pontos para dívidas de longo prazo (renegociações) ou contas parceladas (carnês). Agora, o vencimento do cartão, consignado e boletos quitados, incluindo os parcelamentos, em dia pesam mais. No sistema anterior, o pagamento de cartão, consignado e contas do dia a dia representava 13,9% da formação da nota do score, segundo a Serasa. Agora, essa conta equivale a 43,6% do índice. Já o histórico das renegociações, antes responsável por 30,2% da classificação, hoje responde por 13,7%. Agora, a entidade consegue acompanhar, em tempo real, como o crédito é gasto. Segundo Lopes, isso deixa o processo de avaliação mais justo. “Esse tipo de informação ganha mais peso porque reflete mais os gastos do consumidor. É possível avaliar (por ser em tempo real) se há pagamento da fatura, uso do limite do cheque especial ou não, se há empréstimo, financiamento de casa própria, carro”, diz ele. Conforme Lopes, quanto mais informações há do consumidor, mais efetiva fica a avaliação do score. Além disso, o diretor da Serasa acredita que a mudança da avaliação do score fomentará o uso consciente de crédito e o cuidado maior com o dinheiro, já que a “nota” do consumidor será avaliada mais de perto. Já a Boa Vista, também uma empresa de análise de crédito, possui um sistema de nota com base nas dívidas do SPC Brasil, o maior sistema de banco de dados do consumidor da América Latina. Instituições tradicionais usam o score como uma das principais formas de avaliação. Entre as credoras e fintechs, que têm aumentado seu papel no fornecimento de crédito, é fundamental ter o maior número de informações sobre os clientes. Para a economista e pesquisadora Bruna Cataldo, do Instituto ProPague, entidade que incentiva a inclusão financeira, há boas expectativas com o Cadastro Positivo. Segundo ela, o sistema vai ser aperfeiçoado com a inclusão dos dados dos clientes, por exemplo, de concessionárias de energia, água e gás. “Seja na fintech, seja no banco tradicional, na hora de fornecer crédito, com mais informação é possível calcular melhor as notas. Conhecendo mais o cliente ele vai conseguir condições melhores”, diz. Cuidados O advogado especialista em direitos do consumidor, Rafael Quaresma, alerta que, apesar da vantagem dessa inclusão automática no Cadastro Positivo, é preciso que o cliente tenha clareza no que está sendo difundido e haja transparência, podendo optar ou não para estar na base de dados. “Os consumidores precisam saber antecipadamente de sua participação. Não adianta trabalhar com essas ferramentas se o consumidor, que vai fomentar a base, não sabe do que se trata”, conclui.