[[legacy_image_152792]] A alta da taxa Selic fez com que os juros do financiamento imobiliário subissem pela primeira vez desde julho, segundo apurou A Tribuna. Na Caixa, todos as linhas ficaram mais caras. A maior elevação está no empréstimo corrigido pela caderneta de poupança, que passou de 6,32% ao ano em julho para 8,99% neste mês, diferença de 2,67 pontos percentuais. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O Banco Central subiu a Selic em 1,5 ponto percentual pela terceira vez consecutiva no início do mês, a 10,75% ao ano. Em julho, a Selic era de 4,25% ao ano. Quando a inflação sobe, o BC eleva a Selic para frear o consumo e reduzir o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A Tribuna levantou com os cinco principais bancos os juros do financiamento imobiliário. A Caixa é o maior financiador da casa própria, com 66,3% do mercado. A carteira de crédito habitacional do banco público ultrapassou R\$ 550 bilhões no ano passado, crescimento de 8% em relação a 2020. A linha da Caixa corrigida pela TR, que cobrava entre 7% e 8% em julho, aumentou para 8% a 8,99% neste ano. A outra modalidade, de taxa prefixada, de 8,25% a 9,75% no ano passado, subiu para 9,75% a 10,75% agora. Já a linha da poupança é calculada por uma taxa que é somada ao percentual de rendimento da caderneta. Em julho essa taxa ficava entre a mínima de 3,35% e a máxima de 3,99% ao ano mais a rentabilidade da poupança, o que resultava entre 6,32% e 6,96% ao ano, respectivamente). Agora, a taxa principal caiu, entre 2,95% e 3,79%, mas na prática o custo subiu ao mutuário, pois a poupança agora rende mais – 6,17% ao ano – resultando entre 9,12% e 9,96% respectivamente. A Caixa esclareceu que a definição das taxas de juros considera fatores de mercado e da conjuntura econômica e o perfil de relacionamento do cliente com o banco. Outros bancos O Itaú Unibanco é o banco que fez o maior reajuste nas suas linhas. Em julho, a taxa fixa mais TR era de 6,9% ao ano. Agora, o índice cobrado é de 9,1% mais TR. Na linha atrelada à poupança, eram 3,95% mais caderneta, somando 6,92% ao ano, ficando agora em taxa de 2,99% mais caderneta, resultando em 9,16%. O Santander, que só possui uma linha com taxa pela TR, trabalhava entre 7,99% e 9,99% ao ano em julho e agora cobra só pela máxima, de 9,99% ao ano. Dicas O economista Jorge Manoel de Souza Ferreira, diz que a alta de juros sempre prejudica financiamentos e com a casa própria não é diferente. “A renda é a base para a concessão do crédito imobiliário. Como as prestações ficam mais caras, aumenta-se também a renda exigida". Para ele, aumentar o valor da entrada do imóvel para reduzir o volume de empréstimo agora mais caro é, sem dúvida, uma alternativa, porém, geralmente as famílias não têm esta reserva. “Outra alternativa é aumentar o número de prestações para aqueles que planejavam comprar em prazo mais curto que o limite”, afirma. Ferreira acredita que, devido à queda de demanda, os imóveis fiquem mais baratos. “Mas isso é imponderável e só o próprio mercado pode responder ao longo do tempo”. Mercado suporta taxas O diretor regional do Sindicato da Habitação (Secovi), Carlos Meschini, disse que a subida nas taxas acompanha o mercado e alta da Selic, no entanto, apesar do aumento substancial, o custo do crédito é considerado confortável. “Já chegamos a taxas como 12% ou 13% antes e esse patamar médio ainda é bom para o mercado imobiliário, que absorve bem no longo prazo. Não é um impacto tão agressivo, ainda vejo oportunidade”, diz. O mercado elevou a perspectiva para a taxa básica de juros para o fim deste ano porque ainda há pressão inflacionária. Além disso, o Banco Central já anunciou que vai ser rigoroso e manter a Selic nas alturas o tempo que for necessário para debelar a inflação. O Boletim Focus, que é a pesquisa semanal do BC com os analistas das instituições financeiras, apontou na última segunda-feira a expectativa de Selic a 12,25% em dezembro, contra 11,75% previstos na semana anterior. Para 2023 segue estimativa de Selic de 8%. Para Meschini, o mercado não prevê muitas subidas da Selic. Pelo contrário, diz Meschini, os analistas esperam uma queda na taxa básica no fim do ano e início de 2023. “Acredito que o impacto é pequeno e os financiamentos devem continuar acontecendo com volumes razoáveis sendo financiados e a tendência é de se manter a procura e venda dos imóveis até o fim do ano”, conclui ele.