[[legacy_image_194445]] A promessa feita pelo presidente Jair Bolsonaro de manter o Auxílio Brasil em R\$ 600 no ano que vem teria impacto de mais de R\$ 50 bilhões e reduziria muito o espaço para outras despesas, como investimentos e custeio da máquina pública. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Na convenção que oficializou sua candidatura à reeleição à presidência da República, realizada neste domingo, 24, no Rio, Bolsonaro disse já ter conversado com o ministro da Economia, Paulo Guedes, para que o reajuste do auxílio de R\$ 400 para R\$ 600, às vésperas da eleição, seja mantido no ano que vem. No sábado, em evento em Vitória (ES), o presidente já tinha sinalizado que poderia manter o valor. "Auxílio Brasil de R\$ 600 será mantido a partir do ano que vem. E tenho certeza, teremos deflação no corrente mês", disse. Técnicos ouvidos pelo Estadão/Broadcast, porém, disseram que o valor não está em discussão na elaboração da Lei Orçamentária Anual de 2023, que tem de ser enviada ao Congresso Nacional até agosto. Uma fonte ressaltou que o espaço para despesas discricionárias, que incluem investimentos e outras não obrigatórias, está em pouco mais de R\$ 150 bilhões. Só o aumento dos beneficiários do Auxílio Brasil, com o programa a R\$ 400, elevou o custo do programa no ano que vem para cerca de R\$ 106 bilhões. Se o valor de R\$ 600 se tornar permanente, a conta chegará a R\$ 155 bilhões, consumindo todo o espaço dos gastos discricionários e limitando muito outras despesas, que incluem investimentos e despesas de custeio com a máquina, como energia e água, entre outras. Para aumentar o auxílio em ano eleitoral, o governo aprovou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que estabeleceu estado de emergência, alegando a alta de preços dos combustíveis. Líder nas pesquisas, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também já disse que manterá o auxílio em R\$ 600 caso seja eleito. RISCOS À FRENTE Como o Auxílio Brasil é uma despesa obrigatória - ou seja, que o governo tem determinação legal de cumprir -, seu aumento acarretará uma compressão nos gastos discricionários, ao contrário dos gastos de investimento e custeio, que podem ser adiados. Como o orçamento da União já é muito rígido e mais de 90% das despesas são obrigatórias, uma redução ainda maior nesses gastos poderia colocar em risco a própria administração da máquina pública, levando até mesmo ao que se chama de "shut down" - quando não há dinheiro para despesas básicas e serviços essenciais são paralisados. De acordo com fontes, mesmo se o governo acabasse com o teto de gastos - regra que limita o crescimento das despesas à inflação do ano anterior -, há uma limitação pelo lado da arrecadação de tributos. A única saída para a conta fechar seria um grande aumento da dívida pública para bancar todas essas despesas. "A dívida explodiria", disse um integrante do governo.