[[legacy_image_98858]] Crise é uma palavra que passa longe do mercado de carros de luxo. As vendas se mantêm aquecidas e tiveram até um empurrãozinho com a pandemia. Há lojas até com fila de espera. Isso porque, com as restrições sanitárias, muitos consumidores de classe alta destinaram, por exemplo, os recursos de viagens, passeios e até restaurantes caros para a troca dos veículos premium. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! A gerente da Divena, concessionária Mercedes-Bens, Edna Grati, conta que, em vez de quantidade, houve um aumento do tíquete médio (valor médio pago pelo cliente) nas vendas. O custo, dependendo do modelo, variou de R\$ 330 mil a R\$ 700 mil. O da linha GLC 220D está entre os mais procurados. E, nesse caso, o valor pode chegar a praticamente R\$ 440 mil. Atualmente Edna tem dez clientes aguardando veículos e deve levar uns três meses para atender a todos devido à queda de produção por falta de componentes, o que segura a fabricação na montadora. “Muitos clientes que não puderam viajar decidiram se dedicar à aquisição de um carro novo. Também houve quem sofre com a covid-19 ou possui parentes que tiveram problemas e decidiram que não valia a pena ficar guardando dinheiro”, conta Edna. Nem a inflação em alta e o dólar nas alturas têm segurado o consumidor. O único freio ocorre mesmo pela falta de reposição de veículos. Na Audi Center Santos, 80% do novo modelo A-3, lançamento que está chegando às lojas, já está vendido. Em condições especiais, a unidade sai a partir de R\$ 229,9 mil. “Mais de 80% dos veículos que vão chegar já estão vendidos. Antes, faltava cliente, agora faltam carros”, explica a consultora de vendas da empresa, Aline Albuquerque. Mais opções Mesmo o mercado de seminovos sentiu diferença alguns meses após o início da pandemia. A procura por veículos aumentou entre 20% e 30%. Na lista de interesse, veículos com valores entre R\$ 150 mil e R\$ 600 mil, com, no máximo 10 mil km. “Trabalho com estoque de 12 a 15 carros. Hoje só tenho seis. Tenho cliente e não consigo carro, porque, com o veículo zero mais difícil no mercado, devido à falta de componentes, houve procura pelo seminovo”, diz o proprietário da AutoBahn Motors, Marcus Scanavini. Segundo ele, o resultado poderia ter sido ainda melhor, caso a alíquota do ICMS não tivesse sofrido alterações, diz Scanavini. O imposto de carros usados saltou de 1,8% para 5,53% em janeiro. A partir de 1º de abril, diminuiu para 3,9%. Mesmo assim, o impacto foi grande. “O ICMS mais que dobrou. Estamos pagando imposto alto o ano inteiro. Isso prejudica o nosso crescimento”. Para o economista e diretor de Educação a Distância da Universidade santa Cecília (Unisanta), Marcelo Cruz, o setor ainda deve se manter em alta por um bom tempo. “A demanda vai continuar aquecida e não só no mercado de carros. Os imóveis de alto luxo também, porque as pessoas ficaram com dinheiro represado e isso se tornou um investimento em bens de consumo para essas pessoas”