[[legacy_image_158728]] O aumento da gasolina, diesel e gás de cozinha anunciado nesta quinta (10) pela Petrobras e que provocou uma corrida aos postos na Baixada Santista, fará com que a projeção de inflação deste ano seja em torno de 8%, segundo economistas (a previsões anteriores eram por volta de 5,6%). Entretanto, o cenário pode piorar por conta da guerra na Ucrânia e do período conturbado de eleições que o País viverá em outubro. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Esse reajuste vai ter grande impacto geral nos preços. Se não houver mais surpresas, será muito acima do teto da meta da inflação (de 3,5%)”, resume o economista do Insper Alexandre Jorge Chaia. A estatal aumentou a gasolina para as distribuidoras em 18,7% a partir de hoje. O preço médio passou de R\$ 3,25 para R\$ 3,86 por litro. O diesel também foi reajustado, mas em 24,9%, subindo de R\$ 3,61 para R\$ 4,51. O gás de cozinha vai ficar 16,1% mais caro. São os maiores aumentos desde o início da política atual de preços, de 2016. A gasolina acumula alta de 36,84% nos últimos 12 meses, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC)/Fipe. No caso do etanol, a alta acumulada é de 40,67%. O botijão de gás aumentou 30,23% no mesmo período. Os dados são de fevereiro. Nesta semana, o barril do petróleo no mercado internacional chegou a US\$ 139 (R\$ 696,78), maior patamar em 14 anos - o mercado prevê até US\$ 200 se a guerra na Ucrânia continuar. Além disso, os Estados Unidos anunciaram um boicote às importações de petróleo da Rússia. Hoje, a Petrobras faz reajustes no mercado interno baseada no mercado internacional e na variação do câmbio. Para Chaia, o impacto no consumo é imediato. “Todos os outros setores irão sentir esse aumento, que deve ser repassado aos consumidores, ao menos em parte, já que a economia está num momento restritivo”. Cenário NacionalDe acordo com o economista, os preços médios dos combustíveis do País não estão em desacordo com outros lugares no mundo. No entanto, a renda média brasileira não acompanha esse custo. Para ele, o ideal seria um auxílio aos consumidores, não uma intervenção estatal nos preços, como o congelamento ou subsídio nas bombas, como estuda o Governo Bolsonaro. “Há duas saídas, caso o choque dos combustíveis continue nesse patamar no pós-guerra: ou o consumidor vai se ajustar ou deixar de gastar com automóvel”. De acordo com o economista, esta pode ser uma oportunidade para reflexão. “Seria interessante aproveitar e repensar a matriz energética brasileira e investir em energia mais barata e limpa. Pensar em carros elétricos, energia solar e eólica. Esta pode ser a chance de retomar investimentos nessas matrizes menos poluentes”.