(Alexsander Ferraz/AT) “Governador: reeleição ou Presidência?”. A primeira resposta de Tarcísio de Freitas (Republicanos) à pergunta, feita pela coluna logo após ele ter deixado a reunião desta terça-feira (18) do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), foi um “não” seguido de uma careta. Segundos depois, voltou a falar, criticando o tom de reportagens que, com base em fontes que se manifestam sob condição de anonimato, tratam do assunto. “É sempre assim: ‘Pessoas próximas’, ‘Uma pessoa que entrou em contato’, ‘Uma pessoa com conhecimento do tema’... Não tem nada disso”. Então, ao se pedir uma resposta direta de Freitas, ele disse: “Não, não. Não sou candidato à Presidência. Ponto. Simples assim”. Minutos depois, ao deixar o encontro do Condesb e em meio a cumprimentos, o secretário estadual de Governo e Relações Institucionais, Gilberto Kassab, também presidente nacional do PSD, foi abordado pela coluna, que lhe citou a declaração de Freitas de que não disputará o Planalto em 2026. E, logo a seguir, questionou se, com base nisso, ficaria mais fácil ao PSD definir seu caminho para as eleições nacionais. “Não facilita nem dificulta. Nosso projeto está alinhado ao de Tarcísio. Se (concorrer a) governador, (o PSD estará com ele para) governador. Se Presidência, Presidência”, afirmou Kassab, apesar da negativa. ‘Habemus’ presidente Por falar em eleição, o debate fechado entre os prefeitos para decidir quem presidiria o Condesb foi comparado, por assessores e jornalistas, aos conclaves para a escolha de papas na Igreja Católica Romana. O lanche não deu A reunião ordinária foi suspensa às 15h53, e todos foram para uma sala próxima ao auditório onde o encontro ocorria. Dois funcionários da Agência Metropolitana (Agem) e um segurança montaram guarda diante da porta. Fez-se a mesa do cafezinho que haveria no intervalo. Salgados e doces acabaram bem antes do fim do conclave, às 16h57. Quanto menor, pior Vice-presidente reeleito do Condesb, o subsecretário estadual de Desenvolvimento Urbano, José Police Neto, observava, durante a reunião dos prefeitos, que era mais difícil consenso em grupos pequenos do que em grandes. “Quanto menor o quórum, mais difícil olhar as pessoas no dia seguinte.” Com aperto Police afirmava com conhecimento de causa. Ex-vereador em São Paulo, venceu uma disputa intensa com Milton Leite para a Presidência da Câmara em 2010: 30 votos a 25. À mesa Houve quem estranhasse não ter ocorrido entendimento mais cedo. A convite do prefeito Rogério Santos (Republicanos), todos almoçaram no Paço Municipal após o compromisso com o governador no Parque Valongo. Poucas palavras Um participante contou que o prefeito de São Vicente, Kayo Amado (Pode), se pôs à disposição, mas só. Alberto Mourão (MDB), de Praia Grande, o adversário, nada disse. Expressões Mourão, a propósito, foi o primeiro a deixar a sala de reuniões, com expressão fechada. Logo atrás dele, o prefeito de Cubatão, César Nascimento (PSD), que aparentava desalento. Ele tinha compromisso de apoiar Mourão, firmado antes que Kayo Amado se candidatasse. A escolher Fazia sentido. Na entrevista pós-eleição que concedeu, Mourão disse que os problemas da região “são muitos, e a gente vai ter que escolher os mais graves”. Um deles, a subutilização do Polo Industrial cubatense, com destaque para a Usiminas. “Não está gerando emprego”. Clima Uma aparente coincidência, também no Condesb, foi a declaração do governador de que um tema a tratar na Baixada é a possível formação de consórcio regional para limpeza e desassoreamento de rios. Foi horas antes do temporal. Na hora A preocupação iminente era com as nuvens escuras, que prenunciavam risco a viagens de helicóptero. Freitas saiu por volta das 15h50, na hora em que a Defesa Civil emitiu alerta de chuva forte.