(Vanessa Rodrigues/ AT) A Câmara de Cubatão retirou da pauta de votação um projeto de lei do Executivo para que se autorize o Município a contrair um empréstimo de até R\$ 500 milhões da Caixa Econômica Federal. O prefeito César Nascimento (PSD) entregou o pedido durante a sessão extraordinária feita ontem pela Casa, que tinha esse texto como único item em discussão. A solicitação chegou após um intervalo motivado por uma aparente falha no painel eletrônico de votação. Ocorreu quando seria votado um parecer em separado, contrário à proposta e elaborado pelo vereador de oposição Roniele Martins da Silva, o Rony Martins (PSD), que é vice-presidente da Comissão de Finanças e Orçamento do Legislativo. Se o parecer fosse aprovado, o projeto terminaria arquivado, sem permissão para o empréstimo. Martins e os outros oposicionistas, Guilherme Malaquias, o Guilherme do Salão, e Márcio Silva Nascimento, o Marcinho (ambos do PSB), já tinham votado a favor do parecer, quando o painel travou. José Elan dos Santos Gomes, o Batoré (Agir), pediu que os vereadores votassem ao microfone, mas o presidente, Alexandre Mendes da Silva, o Topete (PSD), sugeriu esperar o painel voltar a funcionar. Sob insistência, irritou-se: “Calma, calma. Vocês tão tudo agoniado (sic)”. Suspendeu-se a sessão. No retorno, veio o pedido de retirada. A demonstrar No parecer contrário, Martins disse não estarem “suficientemente demonstrados” elementos como a taxa de juros do empréstimo, como seria amortizado, o custo das parcelas, a distribuição dos R\$ 500 milhões em programas, projetos e obras e o impacto orçamentário ao Município nos próximos anos. Formal vs. extraoficial A Prefeitura argumentou que a retirada se deu “para que sejam esclarecidas e avaliadas as dúvidas levantadas durante a sessão”. Mas a questão extraoficial se arrasta há mais de uma semana: um embate entre Prefeitura e Câmara na escolha do próximo presidente da Casa. Mudança de rumo Desde 2024, estava combinado que o vereador Joemerson Alves de Souza, o Cleber do Cavaco (PSD), voltaria ao cargo em 2027 e 2028. Mas, dos 12 vereadores governistas, cinco se juntaram aos três de oposição. Formaram maioria (oito dos 15 vereadores) e decidiram escolher Jair Ferreira Lucas, o Jair do Bar (PSDB), como próximo presidente. Destoante A prisão do empresário Danilo Morgado por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC) destoa do trabalho que prestou a um político: foi assessor do senador Sérgio Olímpio Gomes, o Major Olímpio. Contra o PCC Olímpio, policial militar que se notabilizou por criticar o Governo Estadual ao lidar com a facção criminosa, morreu em 2021, de covid-19. Ainda candidato Mesmo detido, Morgado continua candidato a deputado estadual. Só em “eventual ação própria” sua participação poderá ser rejeitada, diz o Tribunal Regional Eleitoral. Sem impacto Deputados da região que responderam à coluna dizem que as prisões de Morgado e do presidente da Federação União Progressista, Milton Leite, não prejudicarão outros candidatos do PL e do União Brasil. Cada qual “Cada candidato tem sua própria trajetória, seu trabalho e sua relação construída com a população”, diz a deputada estadual Solange Freitas (União). “Não interfere. O trabalho continua da mesma forma, e Milton Leite terá seu legítimo direito de defesa”, afirma o federal Carlos Alberto da Cunha, o Delegado Da Cunha (União). Outro tempo As acusações são do “período em que ele (Morgado) pertencia a outra legenda”, cita a assessoria da federal Rosana Valle (PL), que “defende a rigorosa investigação dos fatos e, comprovado qualquer ilícito, a responsa-bilização dos envolvidos”. Mais um político Também foi preso na operação o presidente do Solidariedade em Santos, Edson Antonio de Souza, o Peru. Segundo apurado, ele intermediaria interesses do PCC em licitações municipais.