À exceção de Paulo Mansur (PL), os deputados reeleitos pela Baixada Santista tiveram menos votos do que 2022. Explica-se, em parte, pela existência de candidaturas bem votadas à direita, sobretudo, e à esquerda. Para comparação, este foi o desempenho dos federais reeleitos: Rosana Valle (PL) passou de 216.437 votos para 213.752, e Paulo Alexandre Barbosa (PSD), de 170.378 para 168.207. Quanto aos estaduais, Matheus Coimbra Martins de Aguiar, o Tenente Coimbra (PL), passou de 209.705 para 198.342 votos e, ainda assim, igualou sua colocação na lista geral, como oitavo mais votado à Assembleia Legislativa; Caio França (PSB) foi de 105.173 para 99.840 votos, e Solange Freitas (União), de 81.870 para 77.524 votos. O eleitorado de Mansur, estadual, aumentou de 86.201 para 107.073 votos. E, apesar de também ter crescido, a votação do deputado estadual Paulo Corrêa Júnior (Republicanos) não lhe permitiu seu quarto mandato consecutivo: recebeu 62.239 votos quatro anos atrás e 64.402 agora. Porém, foi o oitavo colocado em sua chapa, e o partido obteve seis cadeiras — Corrêa terminou a 2.072 votos do reeleito Gilmaci Santos. Entre as novas estaduais, Eduarda Campopiano (PL) foi recordista, e Débora Camilo (PSOL), a oitava entre os nove nomes eleitos pela Federação PSOL-Rede. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Fenômenos O cientista político Alcindo Gonçalves, responsável pela Metodologia e Relações Institucionais do Instituto de Pesquisas A Tribuna (IPAT), viu não apenas em Eduarda um resultado impressionante, mas avaliou a eleição de Débora como um fenômeno, também com votos obtidos fora da Baixada Santista. Por ora, não Gonçalves pensa que o PSOL ainda não é um partido suficientemente estruturado para substituir o PT como principal força à esquerda, mas mostra que o Partido dos Trabalhadores carece de renovação e poderá não consegui-la nos quatro anos que terá para se preparar para o pós-Lula. Há margem Filiado ao PSOL, o cientista político e suplente de vereador Rafael Moreira Dardaque Mucinhato analisa que Débora Camilo e outros eleitos da esquerda têm margem para fazer diferença em uma Assembleia Legislativa majoritariamente de direita — só o PL terá 27 cadeiras. Força regional Moreira acredita que, mesmo fazendo oposição ao Governo do Estado, esses deputados poderão fazer um bom mandato se conseguirem fazer a população ver neles um representante regional mais presente. Vagas abertas Com a eleição de Eduarda Campopiano e Débora Camilo, ficarão abertas duas vagas, pela ordem, nas câmaras de Praia Grande e Santos. Elas tomarão posse em março. Em Santos, Mello Primeiro suplente de PSOL-Rede em Santos, Fábio Mello teve 1.414 votos em 2024 e prevê atuação “firmemente alinhada à oposição, combatendo a velha política do clientelismo que impera em Santos”. Perfil operário Mello, dirigente licenciado do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP), não se elegeu deputado federal. Ele lamentou “profundamente que a nossa região, que possui um perfil extremamente operário (...), mais uma vez fique sem uma representação direta na Câmara”. Em PG, Farias Em Praia Grande, o empresário Marcel Farias (PL) se tornará vereador. Ele, que recebeu 1.107 votos há dois anos, não retornou à coluna até o fechamento desta edição. Olho no futuro Pensando nas eleições municipais de 2028, a deputada estadual reeleita Solange Freitas (União) ganhou força em relação ao vereador Tiago Peretto, que trocou a sigla pelo Podemos para também buscar a Assembleia. Ele teve 35.219 votos. Em São Vicente, Solange obteve 22.061, e Peretto, 17.680. Agora, foi ela Invertendo o resultado de 2022, Rosana Valle (PL, que tentou a Prefeitura em 2024) superou Paulo Alexandre Barbosa (PSD) em Santos: 62.585 votos a 48.781. Naquele ano, Barbosa celebrou ter sido o primeiro.