(Reprodução/ Redes sociais) Na primeira sessão da Câmara de Praia Grande após virem à tona denúncias de suposta exploração sexual de adolescentes pelo vereador Diego Vieira (PRD), realizada nesta terça-feira (24), o vereador Emerson Camargo dos Santos (PSD) apresentou encaminhamento para que o acusado se manifeste na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Casa. Santos argumentou que, como Vieira responde a inquérito policial pelas acusações, pode também estar incorrendo em infração ético-disciplinar e deve, por isso, ser ouvido pela comissão. “Se, após apurados os fatos, a comissão entender pela culpa do vereador, pode ser aberta uma comissão processante que leve à cassação do mandato”, informou a assessoria de imprensa da Câmara. Ainda na sessão, por volta das 11 horas, Diego Vieira começou a discursar. Falou por seis minutos, a maior parte deles lendo um texto, relatando uma vida marcada por dificuldades pessoais e por trabalho e estudo árduos, destacando “a profissão que mais amei”, de trabalhador em creche na Prefeitura por oito anos, e pediu respeito a sua família, às investigações, à presunção de inocência e a sua homossexualidade (“Foi difícil, sim, eu assumir a minha orientação sexual, mas foi um alívio”). “Eu não cometi crime algum. (...) Não façam ataques e não destruam a reputação de ninguém”, declarou o vereador. Comparação Vieira prosseguiu, citando Fabiane Maria de Jesus, linchada em 2014 pela falsa acusação de sequestrar crianças para rituais: “Lembram daquela mulher de Guarujá, do Morrinhos? A minha família, desde quinta-feira, teve de tirar o celular da minha mão. Sei quanto estou sendo atacado, tanto a minha integridade física como a minha vida”, disse. Representação O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar da Assembleia Legisaltiva aprovou, nesta terça, a abertura de representação por quebra de decoro contra os deputados estaduais Lucas Bove e Matheus Coimbra Martins de Aguiar, o Tenente Coimbra (ambos do PL). Em último caso, eles poderão perder o mandato. Alegou violência O pedido partiu da deputada estadual Ediane Maria (PSOL), líder da federação PSOL/Rede na Assembleia, que disse ter sofrido violência política e injúria racial de Bove e Coimbra em 17 de dezembro. Durante sessão Coimbra afirmou que, se o PSOL “tem uma liderança acéfala que não consegue conversar, não consegue dialogar, não consegue organizar a própria bancada, eu acho que a saída é deixar os seis deputados dentro do congresso de comissão, para que eles vejam aquilo que é conversado entre as lideranças”. Relator nomeado Ediane protestou, e Coimbra se desculpou, alegando ter dirigido o termo “acéfala” ao posto de líder do PSOL, não à deputada. Depois, Bove disse aos deputados socialistas que “vocês podiam procurar alguma professora para dar aula de português e interpretação de texto”. A representação terá como relator o deputado Eduardo Nóbrega (Pode), que votou contra a abertura. Sem restrição O vereador Benedito Furtado (PSB) retirou o projeto para limitar o número de homenagens que suplentes no exercício do mandato pudessem apresentar. Seria votado ontem, mas, pouco antes, notou “lobby” contrário ao texto em plenário. Sob críticas Antonio Carlos Banha Joaquim (PSD), suplente no mandato, disse que “não vou criar vereador de segunda classe”. Carlos Teixeira Filho, o Cacá Teixeira (PSDB), citou que seriam prejudicados vereadores que ocupam secretarias e estão substituídos por suplentes. Ofendidos, até Adriano Piemonte (União) sugeriu limitar a seis as homenagens para cada um que assumisse, fosse titular ou suplente. Adriano Catapreta (PSD), também suplente em exercício, avaliou que o projeto seria incapaz de “selecionar quem vai fazer uma homenagem boa ou ruim”. Claudia Alonso (Pode), igualmente suplente no cargo, julgou “uma ofensa sem tamanho” tal diferenciação. Cada um por si “Vou retirar o projeto. Quem quiser fazer farra do boi que faça”, concluiu Furtado.