O vereador Sérgio Santana (PL) pediu ontem que a Câmara de Santos envie votos de congratulações à colega de Praia Grande Eduarda Campopiano, do mesmo partido, por ter sido eleita à Assembleia Legislativa. É um tipo comum de solicitação e que tenderia a ser aprovado automaticamente, mas que deverá ter discussão em plenário na próxima semana e ser enviado se receber maioria de votos. O requerimento foi a debate após o vereador Benedito Furtado (PSB) relembrar declarações dela pelas quais o crime de feminicídio é inexistente e que homens são, por natureza, mais agressivos. “Isso é uma ofensa ao Brasil, às brasileiras, às mulheres do planeta. (...) Esse requerimento tem que sair daqui, isso é uma vergonha para o nosso Parlamento. Duvido que os companheiros que são de direita pensem dessa forma”. Santana estava fora do plenário e não ouviu os argumentos de Furtado, mas, ao voltar, declarou que manteria o requerimento. Como o socialista deverá pedir o adiamento, o texto terá de ser votado em uma próxima sessão. A vereadora Débora Camilo (PSOL), também eleita deputada estadual, declarou: “Duvido que qualquer um aqui que votar favoravelmente a essa congratulação, se um homem levantar contra sua filha, vai dizer ‘filha, aceite, porque é da natureza do homem que isso aconteça’”. Certezas Ao rechaçar a ideia de que tantos eleitores pudessem estar enganados, o vereador Adriano Piemonte (União) disse a Santana que “estou a favor do senhor e dos (quase) 2 milhões de pessoas” que votaram na candidata. Marcos Caseiro (PT) contrapôs a afirmação, ao rememorar ditadores como Adolf Hitler, Benito Mussolini e Francisco Franco: “Ter consenso num determinado momento não indica a certeza de estar em um caminho correto”. Realidade Afirmações como as da vereadora repercutiram no Executivo. “Parece que chegamos a um ponto em que negar a realidade virou sinônimo de coragem. O que a gente faz com os números?”, indagou a secretária da Mulher, Cidadania, Diversidade e Direitos Humanos, Nina Barbosa, sem citar a deputada eleita. Legado digital O que já se pode perceber é que, com o sucesso de políticos com influência digital, vereadores de Santos têm sido mais performáticos. A tentativa de cunhar frases de efeito e o uso de caras, bocas e gritos em discursos nas sessões chamam a atenção até de colegas, que os saúdam pela aparente combatividade. Um lamento Em Guarujá, vereadores que disputaram a Assembleia Legislativa atribuíram seu insucesso à ampla votação, por eleitores da Cidade, a deputados de fora — incluindo, nessa condição, mesmo quem é da Baixada Santista, mas não, do Município. Aos de fora “Eu peço aos eleitores que, pela rede social, cobrem ela (Eduarda) para mandar recurso para nossa Cidade”, propôs Valdemir Batista Santana, o Val Advogado (Pode), sugerindo o mesmo em relação a outros “candidatos forasteiros”. É logo ali O presidente da Câmara, Mário Lúcio da Conceição (Cidadania), também não eleito deputado estadual, lamentou: “Nós vamos ficar mais quatro anos dependendo dos outros”. Mas, perante apoiadores uniformizados que lotaram as galerias na sessão de terça-feira, lançou-se pré-candidato à Assembleia em 2030. Mais cargos Vereadores de Santos aprovaram ontem, em primeira discussão, dois projetos de lei complementar do prefeito Rogério Santos (Republicanos). O objetivo é ampliar os quadros de auditor fiscal de tributos municipais, de 85 para 100, e procurador municipal, de 35 para 50, sempre mediante concurso. Arrecadação São medidas que ganham importância com a reforma tributária, que mudará a arrecadação e a distribuição de impostos entre União, estados e municípios. Reforço de auditores poderá ajudar a combater sonegação, e mais procuradores ampliarão a defesa da Prefeitura em ações sobre impostos. Para concluir A votação final dos projetos deverá ser na terça-feira.