Nove dias após rejeitar projeto de lei com o mesmo objetivo, a Câmara de Cubatão aprovou ontem, em duas sessões extraordinárias consecutivas, proposta do prefeito César Nascimento (PSD) para que o Governo aumente, de 10% para 19% da despesa autorizada, o limite para abertura de créditos suplementares. A intenção é ter maior margem para remanejar verba e garantir o pagamento de obrigações cotidianas, como o salário dos servidores. Projetos como esse e o que visava à permissão da Casa para que o Município tomasse até R\$ 500 milhões emprestados da Caixa Econômica Federal haviam sido derrubados na sessão do dia 20. Mas, nesta quinta-feira, o remanejamento passou por 11 votos a três, estes últimos da bancada oposicionista. Coube ao vereador da base e pré-candidato à Presidência da Câmara, Jair Ferreira Lucas, o Jair do Bar (PSDB), resumir o incômodo de governistas: o envio de projetos para serem votados sem debate prévio com a Câmara. Naquela sessão, conforme disse no plenário, “tínhamos uma combinação com o senhor prefeito, mas (ele) não cumpriu o combinado e mandou mais dois projetos, e a gente não poderia votar sem ter o teor desses projetos. Ficamos revoltados e rejeitamos. (...) Como diz o vereador Batoré (José Elan dos Santos Gomes, do Agir), a gente é base, mas não é bobo”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um exemplo O deputado estadual Paulo Mansur (PL) tem, em família, um exemplo do que ocorre com adversários do Governo em uma ditadura — termo que usou para classificar o regime político brasileiro ao comentar a partida aos Estados Unidos de Flávio Bolsonaro (PL), senador e candidato derrotado à Presidência. Cassação Paulo Mansur é neto de Paulo Jorge Mansur, filiado ao PTB do presidente deposto João Goulart e que, em 13 de junho de 1964, foi um dos primeiros deputados federais cassados no regime militar — seriam 150 até 1977. Todos tiveram os direitos políticos suspensos por dez anos. Flávio continua senador. Silêncio Em Santos, Esmeraldo Tarquínio, prefeito eleito em 1968, foi cassado pela ditadura antes da posse, perdeu por uma década os direitos políticos e foi forçado a silenciar. Arroz e feijão Tarquínio cogitou se mudar para os Estados Unidos — que apoiaram o golpe, mas já criticavam excessos da ditadura —, mas acabou convencido a ficar em Santos por este argumento de sua mulher, Alda Terezinha Camargo de Campos: “Prefiro comer arroz e feijão na minha terra a comer peru na casa dos outros”. Martí: carta E a Associação Cultural José Martí da Baixada Santista reagiu, em carta, à comparação que Bolsonaro fez entre si e o herói nacional cubano, que lutou pela independência de Cuba em relação à Espanha e morreu em combate, em 1895. “Não possui legitimidade moral para invocar o nome de Martí em seu projeto de caráter fascista (...). Nada poderia estar mais distante do legado de Martí do que as pretensões espúrias desse fugitivo da Justiça.” Benedito Furtado (Alexsander Ferraz/AT) Farmácia veterinária O vereador Benedito Furtado (PSB, foto) cobrou ontem da Prefeitura de Santos que ponha em prática plenamente uma lei de autoria dele: a que institui o programa Farmácia Pública Veterinária, para entrega de remédios a animais tutelados por pessoas de baixa renda. Lei a cumprir A lei data de março do ano passado. Furtado constatou que, dos R\$ 100 mil reservados neste ano, R\$ 72 mil teriam sido usados. Até agora, porém, “ninguém pegou um Melhoral. Não tem uma mesinha, não tem uma prateleira, não tem nada (com remédios). (...) Ninguém aqui é palhaço para aprovar as leis e elas não serem executadas”, esbravejou Furtado. App de policlínicas Também sobre saúde — mas humana —, o vereador José Teixeira Filho, o Zequinha Teixeira (PP), sugeriu à Prefeitura que crie um aplicativo para celulares destinado ao agendamento e ao cancelamento de consultas nas policlínicas santistas. Menos ausências Para Teixeira, a medida ajudaria a reduzir faltas e melhoraria a organização do atendimento nas unidades.