O cantor Milton Nascimento enfrenta a doença ( Reprodução/Facebook ) O anúncio de que Milton Nascimento, um dos maiores ícones da música brasileira, enfrenta a demência por corpos de Lewy despertou a atenção do público para uma doença ainda pouco conhecida. Assim como outras condições neurodegenerativas, ela compromete a qualidade de vida e exige acompanhamento especializado, mas possui características próprias que a diferenciam do Alzheimer e do Parkinson. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é a demência por corpos de Lewy? A demência por corpos de Lewy (DCL) é uma doença progressiva do cérebro que afeta funções cognitivas, motoras e comportamentais. Ela é provocada pelo acúmulo anormal de proteínas chamadas corpos de Lewy dentro dos neurônios, especialmente nas regiões responsáveis pela memória, movimento e comportamento. De acordo com a Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), a DCL é a segunda causa mais comum de demência progressiva em idosos, ficando atrás apenas do Alzheimer. Sintomas: quando a doença se manifesta Os sintomas variam, mas os mais comuns incluem: Alterações cognitivas: dificuldade de concentração, perda de memória e confusão mental; Alucinações visuais: os pacientes frequentemente relatam enxergar pessoas, animais ou objetos que não existem; Problemas motores: tremores, rigidez muscular e lentidão, semelhantes ao Parkinson; Oscilações de atenção: momentos de lucidez alternados com períodos de desorientação; Distúrbios do sono: comportamentos agitados durante o sono REM. Essa combinação de sintomas faz com que muitas vezes a doença seja confundida com Alzheimer ou Parkinson no início. Diferença para Alzheimer e Parkinson Enquanto o Alzheimer compromete principalmente a memória de forma precoce, a demência por corpos de Lewy costuma apresentar alucinações e distúrbios motores desde o início. Já no Parkinson, os sintomas motores aparecem primeiro, e a demência pode surgir apenas em estágios avançados. Segundo especialistas da Mayo Clinic, identificar corretamente o tipo de demência é fundamental para definir o tratamento mais adequado. Diagnóstico e tratamento O diagnóstico é clínico e envolve avaliação neurológica, exames de imagem e histórico do paciente. Ainda não há cura para a doença, mas existem tratamentos que ajudam a controlar os sintomas, como: Medicamentos para estabilizar funções cognitivas; Fármacos para reduzir alucinações e rigidez muscular; Terapias complementares, como fisioterapia e fonoaudiologia; Apoio psicológico para paciente e familiares. O tratamento é multidisciplinar, focado em oferecer mais qualidade de vida e autonomia. O impacto no caso de Milton Nascimento Aos 82 anos, Milton Nascimento já havia anunciado sua despedida dos palcos em 2022, com a turnê “A Última Sessão de Música”. A revelação da doença trouxe comoção, mas também abriu espaço para o debate sobre o envelhecimento e os desafios das doenças neurodegenerativas no Brasil. Especialistas ressaltam que casos de figuras públicas ajudam a ampliar a conscientização, incentivando diagnósticos precoces e combate ao preconceito contra pessoas com demência. Conscientização é fundamental Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 55 milhões de pessoas vivem com algum tipo de demência no mundo — e esse número tende a crescer com o envelhecimento da população. Campanhas de informação são essenciais para que famílias reconheçam sinais de alerta e procurem ajuda médica rapidamente.