(Adobe Stock) Presente em tarefas simples do dia a dia, da leitura de mapas à escolha de roupas, a percepção correta das cores é fundamental. Porém, para pessoas com daltonismo, essa interpretação pode ser diferente e, muitas vezes, gerar dificuldades que passam despercebidas na infância e impactam o desempenho escolar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Também chamado de discromatopsia, o daltonismo é uma alteração na forma como o cérebro interpreta determinadas cores. Segundo o oftalmologista Dr. Galton Carvalho Vasconcelos, do Instituto de Olhos de Belo Horizonte (IOBH), a condição ocorre por um funcionamento inadequado dos cones da retina, células responsáveis por captar diferentes faixas de luz. “Quando esses cones não respondem corretamente, o cérebro recebe a informação de forma limitada e a distinção entre algumas cores fica prejudicada”, explica o especialista. O que é o daltonismo? Na prática, o daltonismo faz com que a pessoa veja o mundo com nuances diferentes das percebidas pela maioria. O tipo mais comum é a dificuldade em distinguir vermelho e verde, mas também há casos envolvendo azul e amarelo. Existe ainda uma forma rara e mais severa, chamada acromatopsia, em que a visão ocorre apenas em tons de cinza. De acordo com o médico, a condição é, na maioria das vezes, hereditária e ligada ao cromossomo X, o que explica por que é mais frequente em homens. Impacto direto na escola O problema costuma ser identificado justamente quando a criança inicia a vida escolar. Isso porque muitos materiais didáticos usam cores para organizar informações. “Mapas, gráficos, tabelas e legendas dependem de diferenciação cromática. Quando a criança não distingue essas cores, pode ter dificuldade de interpretação e até ser vista como desatenta ou com baixo rendimento”, alerta o oftalmologista. Sem diagnóstico, o aluno pode enfrentar prejuízos acadêmicos e emocionais. Desafios no dia a dia Além da escola, o daltonismo pode trazer obstáculos em situações cotidianas, como: Identificação de sinais de trânsito Leitura de avisos coloridos Atividades que dependem de códigos por cor Por isso, o diagnóstico precoce é considerado fundamental para orientar família e professores e permitir adaptações. Daltonismo tem cura? O daltonismo não tem cura, mas há recursos que ajudam a reduzir o impacto da condição. Entre eles estão: aplicativos que identificam cores ajustes digitais de contraste adaptações visuais em materiais óculos com lentes filtrantes Segundo o especialista, esses óculos não devolvem uma visão “normal” das cores, mas podem aumentar o contraste, especialmente entre verde e vermelho, e melhorar o conforto visual em alguns casos. Importância do diagnóstico precoce Com acompanhamento oftalmológico e estratégias personalizadas, pessoas com daltonismo podem ter desenvolvimento escolar e qualidade de vida preservados. “O mais importante é não ignorar os sinais e buscar orientação especializada”, finaliza o Dr. Galton Carvalho Vasconcelos.