[[legacy_image_204396]] Quem mora com idosos precisa ter atenção redobrada em casa: não é rara a ocorrência de acidentes domésticos com pessoas acima de 60 anos – que, aliás, passam a maior parte do tempo na residência. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o somatório de internações por fraturas de fêmur de idosos no Brasil foi de 220.712 entre os anos de 2017 e 2021 e o número de óbitos entre 2018 e 2021 foi de 11.546. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A médica geriatra Gerusa Scanavez Rigo Damici explica que, com o processo do envelhecimento, é comum que a mobilidade fique mais limitada e os reflexos sejam reduzidos. “Esses fatores fazem com que a população idosa seja a mais vulnerável a acidentes domésticos. Adaptar a casa para estas limitações ajuda a preveni-los”. O acidente mais comum, segundo a geriatra, é a queda. Estima-se que um terço dos atendimentos por traumas nos hospitais brasileiros seja com pessoas de mais de 60 anos. “Cerca de 75% dessas lesões acontecem dentro de casa, sendo 46% no trajeto entre o banheiro e o quarto, principalmente à noite”, ressalta. Damici lembra ainda que 34% das quedas chegam a provocar algum tipo de fratura e que as mulheres são as principais vítimas de acidentes, enquanto os homens são mais suscetíveis a osteoporose. “A prevenção e os cuidados para manter acasa segura para os idosos são de fundamental importância para ter uma qualidade de vida melhor”. Sempre acompanhadosA cuidadora de idosos Thayane Calixtrato, do residencial Santo Antônio, em Santos, ressalta que o papel de profissionais como ela é ter alguns cuidados diários, adequando os ambientes para não deixar os idosos sozinhos em nenhum tipo de situação. “As medidas que devemos tomar sobre quedas são: evitar tapetes em casa, fios fora do lugar, manter utensílios mais usados no dia a dia em lugares acessíveis e a nível baixo, evitar mudar os móveis de lugar. Tudo que possa ser um obstáculo para o idoso tem o perigo de gerar uma queda”. Thayane lembra ainda que o banheiro é o local mais propício a quedas. Por esse motivo, é importante manter sempre o chão bem seco e instalar barras de apoio perto do vaso sanitário e do box, além de usar tapetes antiderrapantes. A enfermeira Patrícia Martins, especializada em saúde do idoso, ressalta que a luminosidade da casa é muito importante, tanto de dia como de noite. Além disso, as quedas não são o principal problema. “Os móveis devem ter suas beiradas sempre arredondadas. O fogão também é um utensílio perigoso, ele pode ser o pior vilão caso o idoso tenha esquecimento, Alzheimer, Parkinson ou alguma demência. Além de queimaduras, também há o risco de explosão. Acabam deixando o gás aberto e esse risco pode ser fatal”. PandemiaPara o médico coordenador de check-up da Alta Diagnósticos, Rafael Fraga, a pandemia colaborou para que os idosos perdessem parte de sua mobilidade, já reduzida. Soma-se a isso o fato de que muitos moram sozinhos e não possuem ajuda de acompanhantes ou de parentes. “Os idosos ficaram mais tempo em casa, com menos mobilidade, por conta de menos movimentação, perda muscular. Há, também, risco de queimadura: vai cozinhar e tem uma mobilidade menor, acaba se queimando com água quente, a sensibilidade térmica também é menor, então as vezes até um banho mais quente acaba queimando”.