[[legacy_image_317469]] Como o vírus da covid-19 tem um tropismo (que orienta o sentido de um crescimento em relação a estímulos externos) muito grande pelo sistema nervoso central, manifestações neurológicas em pessoas infectadas são mais comuns do que parecem. Estudos mostram uma diminuição do cérebro em um comparativo de pessoas que realizaram uma ressonância nuclear magnética antes e depois de contrair a doença. Para o médico infectologista de Santos, Evaldo Estanislau, a ação física do vírus no tecido nervoso central do cérebro é cada vez mais evidente, sendo este um fator capaz de impulsionar possíveis sequelas após o contato com o vírus SARS-CoV-2. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Desde muito cedo, as pessoas infectadas pela covid apresentaram sintomas que levaram a essa conclusão. Além da perda de paladar e olfato, foram observadas alterações na memória e no raciocínio lógico. "Foi constatado, por meio de estudos, que os pacientes infectados apresentaram uma perda em sua capacidade cognitiva”, afirmou o infectologista. Segundo Estanislau, existe um termo para nomear as sequelas deixadas pela doença, conhecido como ‘covid-prolongado’. Ele explica que esse quadro pode persistir por um período de 6 a 12 meses, e em alguns pacientes, até mais. “É possível que daqui a alguns anos ou décadas, parte desses pacientes tenha uma perda das suas funções cognitivas e cerebrais em decorrência do vírus”, explicou. Sendo assim, o médico argumenta que, no futuro, a causa da demência, doença degenerativa do cérebro, poderá ser explicada pelas infecções prévias em função da covid-19. A parte ruim é que ainda não existe um tratamento específico para esta condição. “O que nós fazemos é acompanhamento e medidas de suporte”, esclareceu o médico. TeoriasExistem algumas teorias que justificam tais alterações cerebrais. “A primeira alega que nós temos micro trombos com formação no sistema nervoso central, que acarretam as áreas de isquemia. Já a segunda, diz que a pequena porção de vírus presente em nosso intestino estimula uma resposta inflamatória com repercussão sistêmica, ou seja, também no sistema nervoso”, explicou. Para o infectologista, há ainda uma terceira teoria. Em entrevista para A Tribuna, Stanislau apontou que a formação de imunocomplexos também pode justificar essas alterações no sistema nervoso. Neste caso, estudos revelam que antivirais podem ser tentados em algumas situações. Porém, vale destacar a importância da vacinação. ‘É evidente que quem recebe o imunizante tem menos complicações a longo prazo. Foi comprovado que pacientes que sofriam com essas manifestações e estavam com a vacina atrasada, quando vacinados, apresentaram melhora quanto a essas alterações em razão do estímulo de uma resposta imunológica contra o vírus no organismo”, concluiu.