[[legacy_image_318687]] Além de complexa, a relação entre medicamentos e a saúde sexual demanda uma compreensão profunda das interações bioquímicas e seus efeitos a longo prazo. Nesse contexto, o urologista Heleno Diegues Paes, de Santos, faz um alerta sobre os riscos de disfunção erétil e diminuição da libido relacionados ao uso de medicamentos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! "Existem muitos medicamentos que interferem negativamente na sexualidade. Os mais comuns são alguns anti-hipertensivos, como os diuréticos e os betabloqueadores, ou alguns medicamentos psiquiátricos, como os benzodiazepínicos. Existem remédios que atuam diminuindo o efeito da testosterona, usados principalmente em algumas doenças da próstata, que poderiam ter efeito negativo na libido", explica. O médico menciona que, mesmo após a suspensão ou interrupção do remédio, há casos de piora da função sexual em pessoas que utilizam tais substâncias de forma crônica, pois o mal desempenho tende a persistir em algumas situações. "Isso não tem uma explicação plausível até o momento, mas, felizmente, não é comum. Trata-se de uma exceção. Como as disfunções sexuais têm inúmeras causas e frequentemente elas coexistem no mesmo indivíduo, uma explicação seria a influência de outros fatores, que não o medicamento, como determinantes do desempenho ruim". No que diz respeito às alternativas de tratamento, o urologista enfatiza a importância da suspensão ou troca do medicamento sempre que possível. Quando a disfunção erétil é causada exclusivamente por um remédio, a chance de melhora imediata é significativa nesse caso. “Quando não ocorre a melhora após a suspensão, será necessário dar suporte psicológico ao paciente, pois frequentemente, nesses casos, a pessoa sofre de insegurança e baixa autoestima, o que gera mais dificuldade para conseguir uma boa excitação". O médico destaca ainda a necessidade de abordar o problema como uma doença crônica, orientando sobre a complexidade do tratamento e ressaltando que os resultados serão conquistados ao longo do tempo. Além disso, é essencial a pessoa se informar sobre os possíveis riscos de efeitos colaterais para que saiba como proceder durante o tratamento. “Mas os efeitos adversos são uma possibilidade e não uma regra. Os pacientes devem relatar os sintomas estranhos ao iniciar um tratamento e o médico irá encontrar meios de resolvê-los. Todos os remédios possuem efeitos colaterais. Quando é optado por um tratamento, entende-se que os benefícios superam os riscos". Sobre a faixa etária em que costuma haver a disfunção erétil causada por medicamentos, o urologista é direto: “Não há uma faixa etária para esse tipo de ocorrência. Quando a causa é exclusivamente um medicamento, qualquer idade pode ser atingida, basta tomar o remédio. Entretanto, a disfunção erétil por outras causas é comum nos idosos, que, por sua vez, também sofrem de polifarmácia, aumentando as chances de um mau resultado na cama”.