[[legacy_image_249945]] Usar anestésico em tatuagens é um assunto que ficou em alta nas últimas semanas depois de estar em evidência o caso ocorrido no Paraná, quando um jovem morreu enquanto fazia tatuagem no braço após usar pomada anestésica. Especialistas de Santos em tatuagem e anestesia, o tatuador Rodrigo Redh e o médico Gustavo Oliveira falam mais sobre o assunto. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Rodrigo Redh é artista plástico e tatuador no Redh Tattoo Studio, em São Vicente. Ele atua há 22 anos. Segundo ele, os cuidados com uma tatuagem começam antes mesmo do início do trabalho. "É preciso se informar sobre o artista, conhecer o seu portfólio de trabalho e saber sobre a legalidade do local, como alvará, licença e aprovação da Vigilância Sanitária", explica. Já durante a tatuagem é preciso estar atento aos cuidados com esterilização dos equipamentos, prazos de validade dos produtos e tintas, e ainda levar em conta os procedimentos de biossegurança. "É direito de quem está fazendo a tatuagem, não é nada demais pedir para ver tudo isso", relata. AlergiaSegundo o profissional, é muito raro alguém ter algum tipo de alergia aos produtos. "Atualmente, as tintas, que são aprovadas pela Anvisa, são atóxicas e não trazem dano algum ao cliente". Já para o caso da anestesia, Redh alerta: "Não existe uma lei especifica sobre o uso de anestésicos para tatuagem. Sabemos que existe um mercado paralelo que vende este tipo de pomada para aliviar a dor do procedimento sem aprovação da Anvisa, e além do risco, traz um resultado ruim em relação à tatuagem, pois o produto enrijece a pele", explica. O médico de Santos Gustavo André Almeida de Oliveira, é anestesiologista, e exerce a profissão há nove anos. Segundo ele, há dois tipos de complicações que o uso indiscriminado de anestésicos pode trazer. A toxicidade e a reação alérgica. "Em relação à toxicidade, mesmo sendo uma aplicação tópica, a dose absorvida pode ultrapassar a concentração segura na corrente sanguínea, e isso provocar reações como convulsão e até mesmo parada cardiorrespiratória". Uma outra complicação, segundo o médico, são as reações alérgicas: "Elas podem ser mais brandas ou, até mesmo, mais graves como o choque anafilático". Ele lembra, também, que aplicar pomadas anestésicas em locais com ferimentos, mesmo que sejam microferimentos como nas tatuagens, aumenta os níveis de absorção da medicação, o que pode fugir do controle da dose segura. [[legacy_image_249946]] Tatuagens GrandesPara Redh, muitas pessoas preferem arriscar e usar as pomadas para trabalhos maiores, o que é um erro. "Seria antiético e desrespeitoso com o cliente alguém oferecer isso. Grandes trabalhos devem ser fracionados em etapas. Assim respeitam a pele e o limite de tolerância à dor do cliente", relata. ExceçõesRedh conta que há casos em que profissionais de saúde com suporte, e em comum acordo com o tatuador fazem o procedimento em clínicas preparadas para que o trabalho possa ser realizado sem dor, mas com suporte médico. Oliveira diz que esse assunto já é comentado entre os médicos, e que existe uma tendência em discutir esse tipo de prática nos centros cirúrgicos. Ele ressalta que medicamentos devem ser prescritos e orientados somente por profissionais habilitados, de modo seguro e consciente, e para casos específicos, para que não se torne algo arriscado e perigoso. Redh também reitera que não há 'mágica' ou caminho mais curto. "Não existe nenhuma pomada ou anestésico especifico para tatuagem legalizado em nosso pais. O melhor cuidado é não usar este tipo de produto, que na maioria são importados, e não sabemos realmente o que eles contêm em suas composições ou o que podem causar".