[[legacy_image_80231]] A chikungunya teve um aumento de 5,7 mil por cento em relação ao ano passado. São mais de 7 mil casos na região, e isso, não levando em conta que muitos não são registrados devido à pessoa não procurar atendimento médico. O santista Guilherme Zager Monteiro exerce a medicina há 18 anos, e desde 2014 lida com a chikungunya. "Inclusive tive a doença em 2014, mas de forma leve", conta. CONFIRA OS BAIRROS COM MAIOR INCIDÊNCIA DE CASOS EM SANTOS Monteiro conta que as sequelas mais comuns são as articulares, desde sintomas leves de dor até quadros intensos de artrite de mãos, punhos, joelhos e pés, podendo atingir ombros, quadris e até mesmo a coluna vertebral. "O quadro pode durar de meses a anos, em alguns casos", explica. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Para minimizar os efeitos causados pela doença, o tratamento são as medicações usadas na reumatologia. "Normalmente o uso de corticóides, antiinflamatórios e drogas antireumáticas, além da observação, porque as pessoas têm sintomas diferentes", explica. Fernanda tem 48 anos, e contraiu a doença há 4 meses. "Comecei com um mal-estar. Em questão de um dia eu não conseguia me mexer na cama, nem pra me virar, sem ter dor em todas as articulações do corpo", conta. Além disso, Fernanda teve inchaço, outra característica da chikungunya. "Minhas mãos, pés, dedos, até meu rosto ficou inchado. Além da dor era uma sensação terrível", explica. Para aliviar, ela usou tudo que podia. Iniciou hidroginástica, bioenergia, acupuntura e medicação à base de corticoides. "Sorte que tive apoio da família pra ajudar a pagar tudo isso e pra me dar suporte nas coisas que eu não podia fazer", conta. "As dores ainda estão aqui quase todos os dias, mas já estou bem melhor". "Não vejo a hora que isso acabe. Primeiro fiquei presa em casa por causa da pandemia, depois fiquei presa dentro de mim mesma, sem poder me locomover direito. Não desejo isso a ninguém, sigam as recomendações e se cuidem pra não serem picados por esse mosquito, que pode trazer tantas doenças em sua picada", desabafa Fernanda. Cuidados na medicação Monteiro explica que a chikungunya é tão potente, que pode desencadear a artrite em qualquer indivíduo, numa frequência maior do que a das doenças reumáticas. "Pode desencadear dor crônica e fadiga", diz. "O corticoide é uma droga excelente, mas pode produzir efeitos adversos como ganho de peso, aumento da glicose, estrias, hipertensão arterial, catarata, piora do colesterol etc. Esses efeitos estão relacionados à dose, tempo de uso e comorbidades", completa. [[legacy_image_80652]] "Essa doença é desanimadora. Quando você acha que vai ficar melhor, vem uma recaída, e aí tenho dores quase insuportáveis no joelho e tornozelo. Meus pés incham, e eu não consigo nem dormir, pois até deitada sem me mexer sinto dores", diz a protetora de animais de São Vicente, Maria Estrela Abreu de Almeida, de 48 anos. . "Tem dias bons e outros ruins. Eu tive há 80 dias os primeiros sintomas. Deu febre, sentia um gosto ruim e falta de apetite. Estou na base do corticoide que foi receitado", relata. Outro aspecto que preocupa Estrela é que não foi ainda imunizada contra a Covid-19. "Não pode com chikungunya, e eu cuido de 60 animais que dependem de mim, é outra coisa muito difícil que estou tendo que lidar", diz. Sintomas mais fortes? Embora possa parecer que os sintomas estejam mais agressivos neste ano, o que aumentou muito foi o número de infectados. "E as pessoas com sintomas leves e breves optam em não procurar atendimento, tentando obedecer o isolamento social. O problema é que possuímos um vetor muito adaptado, que é o mosquito Aedes aegypti. Isso ajuda a disseminar a doença", explica o médico Monteiro. Vacina "Eu acesso com frequência a biblioteca americana, que tem informação bem atualizada. Há um estudo em fase 3 de vacina na Áustria, com vírus vivo atenuado. Temos um da universidade de Oxford, em fase 1, também usando vetor viral Adenovírus, assim como na vacina contra covid", finaliza o médico.