[[legacy_image_164016]] A ButanVac, vacina prometida há um ano como “100% brasileira” e feita pelo Instituto Butantan, está com o desenvolvimento emperrado, e os ensaios clínicos mudaram. Agora, ela poderá servir como reforço dos imunizantes já aplicados contra a covid-19. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! De acordo com o Butantan, faltaram voluntários para os ensaios em humanos, que começam na fase 2. Isso foi ocasionado pelo avanço da vacinação. É que, para participar dos testes, é preciso ou não ter se vacinado, ou ter testes negativos para a doença. Por isso, o órgão decidiu mudar o estudo. Em vez de aplicar a ButanVac como imunizante, ela seria usada como dose de reforço. Nos estudos em humanos, o Butantan pretende comparar a ButanVac com a dose de reforço da CoronaVac para verificar a sua efetividade. No entanto, para o médico infectologista Marcos Caseiro, que acompanha de perto a pandemia, é muito difícil que a mudança seja aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). [[legacy_image_164078]] “É impossível usar essa vacina como reforço sem antes ter ensaio clínico, publicar estudo e ser aprovada pela Anvisa. Eles podem mudar o estudo, mas têm de submetê-lo a um comitê de ética e pesquisa, não podem mudar o ensaio clínico”, afirma. Apesar dessa questão, o Butantan afirma que os estudos clínicos terminarão neste ano. “As fases 2 e 3 continuarão sendo realizadas no Hemocentro de Ribeirão Preto e em outros centros de pesquisa. O estudo avança somente com o aval da agência reguladora. Ou seja, a fase 3 só será iniciada quando os resultados da fase 2 forem conhecidos. Mas, antes disso tudo, a agência precisa aprovar o novo protocolo das fases 2 e 3, que deve ser encaminhado em breve para ela”, diz. A ButanVac, vacina produzida pelo Instituto Butantan, é desenvolvida com a mesma tecnologia da vacina contra a gripe, a partir da inoculação de um vírus modificado (o da doença de Newcastle, que acomete aves) que contém a proteína Spike do SARS-CoV-2 em ovos de galinha com embrião. Se for provada como sendo segura e capaz de imunizar, a vacina será produzida totalmente no Brasil, sem depender da importação de insumos. GuardadasAntes mesmo de ser aprovada pela Anvisa, o governador João Doria (PSDB) encomendou ao instituto a produção de 10 milhões de doses em abril do ano passado. Em junho, o governador afirmou, em entrevista coletiva, que já havia pelo menos 7 milhões de doses da ButanVac estocadas. Instituto trabalha em vacina contra gripe e covidParalelamente à ButanVac, o Instituto Butantan trabalha numa vacina única contra gripe e covid-19. A previsão é que os testes em humanos comecem em um ano. Fruto de uma parceria com organizações internacionais, o novo imunizante vai usar tecnologia de vírus inativado, o mesmo que a CoronaVac utiliza contra o coronavírus. Os estudos ainda são iniciais e estão na chamada prova de conceito, quando se coletam resultados de análises feitas em amostras não humanas. No entanto, os desdobramentos têm sido positivos, segundo o instituto, o que poderá levar aos testes em humanos dentro do prazo esperado. Segundo o Butantan, a primeira etapa dos estudos mostrou que a vacina combinada funciona na proteção contra covid-19 e contra a influenza. Também deu indícios de que pode ter uma resposta imune ainda mais robusta e duradoura do que as vacinas atuais. “A introdução do adjuvante produzido pelo próprio Butantan, chamado de IB160, que é muito semelhante a adjuvantes usados na vacina contra influenza sazonal, tem como vantagem adicional exigir uma quantidade menor de antígenos na composição da vacina, aumentando a capacidade de produção de doses com o mesmo quantitativo de antígenos produzidos, algo importante em tempos de pandemia e também diante da possibilidade de haver reforço na vacinação”, diz o instituto, em nota. O estudo indica que essa inclusão pode aumentar o tempo de produção de anticorpos e que a resposta imune pode durar mais e ser mais efetiva.