[[legacy_image_270306]] Casos de gripe aviária, conhecida cientificamente como H5N1, foram confirmados no Brasil: nove, até ontem — todos eles em aves, não em pessoas. A situação fez o Ministério da Agricultura e Pecuária declarar estado de emergência zoossanitária por 180 dias no País. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O vírus ainda não chegou à Baixada Santista. Especialistas explicam que a doença não passa de um humano para outro, mas reforçam que a letalidade chega a 53%. O doutor em Ciência Animal nos Trópicos pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e ornitólogo Pedro Lima afirma que, apesar de preocupante, o vírus só é transmitido se as pessoas entrarem em contato direto com a ave infectada. O especialista explica que o vírus surgiu pela primeira vez em 1996 na China, e a partir de 2003 começaram a ser registradas infecções em humanos. Com 868 mortes causadas pela doença, chegou-se à proporção de 53% de letalidade entre pessoas — todas elas, que manusearam aves doentes ou tiveram contato com fezes, secreção ou no abate. Apesar de a gripe ser chamada aviária, o profissional reforça que outros animais podem contrair o vírus de aves infectadas. InfecçãoO infectologista Evaldo Stanislau descreve que os sintomas são os mesmos de uma gripe comum: dor no corpo, febre, mal-estar, tosse e dor de garganta. O especialista diz que as complicações são iguais às da influenza, como a dificuldade respiratória. Por isso, pacientes imunodeprimidos e idosos podem ter consequências mais graves. Stanislau explica que há necessidade de alerta, mas não de preocupação. Afinal, quem lida com aves tem sistemas de proteção para os animais, e o acesso a elas é controlado. “Aquelas aves que são criadas de uma maneira mais simples, em uma roça, sem o mesmo cuidado de um criador profissional, se em contato com outras aves infectadas, poderão, sim, se infectar. Mas, para o grande consumo de carne e ovos, não haverá risco. Nossa indústria está bastante preparada para responder a esse tipo de ameaça e não comprometer a produção”, comenta. As aves silvestres infectadas são das espécies Thalasseus acuflavidus (trinta-réis-de-bando), Sula leucogaster (atobá-pardo) e Thalasseus maximus (trinta-réis real).