[[legacy_image_237122]] Estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS) indica que 190 milhões de mulheres em todo o mundo têm endometriose. Delas, entre 7 milhões e 10 milhões são brasileiras, e mais da metade que lidam com a enfermidade relatam dores recorrentes em forma de cólica, fadiga, diarreia ou dificuldade para engravidar. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) realizou 26,4 mil atendimentos relacionados à endometriose no ano passado, quando foram registradas 8 mil internações na rede pública. A doença é uma modificação no funcionamento normal do organismo em que as células do tecido que reveste o útero (endométrio), em vez de serem expulsas durante a menstruação, se movimentam no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a se multiplicar e a sangrar. Muito comum no período reprodutivo, a enfermidade também acontece na adolescência e na transição para a menopausa. As causas ainda não estão totalmente estabelecidas. O exame ginecológico é o primeiro passo para o diagnóstico, que pode ser confirmado por análises laboratoriais e de imagem. “Existem mulheres que têm endometriose e não apresentam sintomas. A doença é descoberta quando elas vêm tirar dúvidas sobre a dificuldade para engravidar. Na investigação feita por videolaparoscopia, encontramos lesões superficiais que muitas vezes não aparecem na ressonância da pelve ou em outros exames”, explica o ginecologista e obstetra Rodrigo Berger. Cuidados Por esse motivo, ele recomenda que as mulheres visitem um ginecologista a partir da primeira menstruação, que normalmente acontece entre os 10 e 15 anos e pode variar por fatores como estilo de vida individual, hábitos alimentares e alterações hormonais. “O ideal é ir ao ginecologista pelo menos uma vez por ano. Todas essas situações interferem no ciclo menstrual e em possíveis complicações à saúde da mulher. Mas, ao entrar no climatério, que é uma transição do período reprodutivo para o não reprodutivo, é fundamental ir ao especialista a cada seis meses, pois nesta fase acontecem muitas mudanças hormonais no corpo feminino”, ressalta Berger. Complicações Qualquer órgão na cavidade abdominal pode ser afetado pela endometriose. Quando a doença surge nos ovários, pode provocar o aparecimento de um cisto, que pode comprometer a capacidade de a mulher engravidar. Contudo, há como restabelecer a fertilidade, possibilitando a gestação com acompanhamento médico adequado. Se a enfermidade for detectada logo no início, o tratamento poderá ser iniciado rapidamente e aliviar os sintomas que, às vezes, são confundidos com outras doenças. Todavia, nenhum sinal deve ser ignorado, e a orientação médica é o melhor caminho. Tratamentos A indicação do tratamento mais adequado a cada pessoa vai depender de fatores como a idade da mulher, a gravidade e a localização das lesões, a intensidade dos sintomas e o desejo reprodutivo. “A endometriose, hoje em dia, pode ser muito bem controlada e nem sempre precisa ser tratada com remédio. Ao fazer uma dieta anti-inflamatória, cuidar do estresse do dia a dia e ter outros cuidados indicados pelo ginecologista da paciente, há possibilidades de a doença ficar sob controle”, diz o médico Rodrigo Berger. Entre as formas de tratamento mais conhecidas e autorizadas pelos órgãos de saúde, estão o uso de pílulas anticoncepcionais, DIU hormonal, medicamentos para dor, uso de fármacos, utilização de implantes hormonais subcutâneos e cirurgias. O tratamento cirúrgico tem indicação em algumas situações específicas: dor refratária durante tratamento clínico, tratamento da infertilidade e comprometimento de órgãos próximos como bexiga, ureter e intestino. “Em todos eles, é necessário acompanhamento médico”, complementa o especialista.