[[legacy_image_207199]] Aprender um novo idioma está ligado a diversos interesses. Melhorar o currículo, morar em um novo país, se conectar com uma cultura e até mesmo conseguir uma tão sonhada vaga de emprego. Mas esse aprendizado também pode estar lutando contra sintomas iniciais de demência e da doença de Alzheimer. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Setembro é o mês mundial da doença de Alzheimer, onde são debatidas a prevenção e a conscientização. Em entrevista para A Tribuna, a psicopedagoga especializada em neurociência Anna Maria Santos da Silva explica como o estudo de um novo idioma pode agir contra os sintomas. “Há muitos estudos no mundo falando que o bilinguismo seria uma das formas de postergar o surgimento dos primeiros sintomas, não de prevenir. Isso faz uma grande diferença. Até 2050, a Organização Mundial de Saúde (OMS) imagina ter um prognóstico de que irá triplicar o número de casos de Alzheimer e demências no mundo”, afirma. Segundo a especialista, pessoas bilíngues conseguem retardar os sintomas de quatro anos e meio há sete anos a mais que aqueles que não têm conhecimento de um outro idioma, além do nativo. “Se a gente postergar o surgimento em um ou dois anos, a gente ganha tempo até para o Poder Público poder cuidar dessas pessoas. Isso tudo causa um impacto muito grande em tratamento, remédios, cuidadores e clínicas. Postergar oferece para as pessoas um período de vida melhor”, explica. Apesar da comprovação dos benefícios do estudo de um novo idioma, a psicopedagoga alega que, por falta de estudos, ainda não é possível dizer se aprender mais de uma língua consegue prorrogar ainda mais os sintomas. "O importante é você ter conhecimento de uma outra língua estrangeira”, diz. “Há muitos estudos comparando dois grupos: um de monolíngues e outro de bilíngues. O mais surpreendente é que, às vezes, a neurodegeneração no bilíngue estava muito mais acentuada do que no monolíngue. Só que isso não se observava. Porque o cérebro dele já estava acostumado a traçar outros caminhos”, conta. A profissional ainda alerta que todos os estudos afirmam que exercício físico, socialização e sempre aprender algo novo é fundamental para a saúde do cérebro. Ainda que o bilinguismo ajuda na reserva cognitiva de estar sempre mantendo o órgão ativo. “Com isso, a pessoa consegue ter uma vida funcional por mais tempo e isso se deve ao exercício do cérebro. Quando a gente fala outro idioma, ele está sempre trabalhando, porque o bilíngue está sempre escolhendo qual é a língua que ele vai falar agora. Ele tem um poder de atenção maior”, comenta. AlertaA atenção aos sintomas é essencial para o diagnóstico durante o início da doença. “As pessoas hoje em dia se preocupam muito com os pequenos esquecimentos que acontecem no dia a dia. Isso é normal. A gente tem uma vida estressante, sempre uma correria e cada vez mais a gente tem demandas grandes, então o esquecimento é normal”, relata. O Ministério da Saúde diz que a doença de Alzheimer costuma evoluir de forma lenta e após o diagnóstico, a sobrevida média é de 8 a 10 anos. Seu quadro inicial se dá por alterações na memória, na personalidade e nas habilidades visuais e espaciais. “Esquecer um compromisso, de responder alguma coisa, não lembrar um nome, isso é normal. Agora quando o esquecimento começa a afetar a sua vida diária, aí realmente é preocupante, é a hora de você procurar um neurologista. Você percebe que a pessoa já começa a ter dificuldade naquelas coisas que fazem parte da rotina”, informa. A doença não tem cura. Segundo o Ministério da Saúde, seu tratamento tem como objetivo retardar a evolução e preservar as funções intelectuais do paciente pelo maior tempo possível. “É uma preocupação mundial, até por isso esse é um mês de conscientização. É uma doença silenciosa, alguns estudos dizem que quando aparecem os primeiros sinais de Alzheimer ou demência, a neurodegeneração, a morte neuronal já estava acontecendo há duas décadas antes”, conclui.