[[legacy_image_27920]] Os anos de negligência no cuidado com o seu diabetes trouxe sequelas irreversíveis para a vida de Jenifer Pavani, a Jeny, de 39 anos. Só diante do medo de morrer, aos 21, ela resolveu mudar seu estilo de vida e se aceitar com a doença. Neste sábado (14), no Dia de Combate ao Diabetes, ela pede ajuda para publicar um livro com a sua história e poder sensibilizar e conscientizar outras pessoas. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em dezenas de lojas, restaurantes e serviços! O diebetes atinge 13 milhões de brasileiros e é muito perigosa por ser silenciosa, normalmente sem sintomas até ficar grave. Jeny descobriu seu diabetes tipo 1 em 1989, aos 9 anos, “Entrei em coma e fiquei cinco dias nessa situação. Eu estava com quase 500 de diabetes. Meu avô paterno já tinha morrido disso”. A doença foi administrada até os 12 anos por sua mãe, que ajudava com a insulina e a alimentação restritiva. Isso até Jeny começar a sair sozinha e ter vergonha de mostrar que precisava de cuidados especiais. “Isso tudo aconteceu na época que o Cazuza morreu de Aids e as pessoas diziam que eu ia contaminar os outros na escola com o diabetes. Eu queria parecer normal, então saía com o pessoal e fazia de tudo”, lembra. Até que um dia, já aos 21 anos, a conta veio. Jeny foi parar na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desidratada. “Fiquei com medo. As pessoas ali só saíam mortes e, a partir de então, passei a fazer tudo certo. Foi algo muito assustador”, conta a pedagoga com pós graduação em psicopedagogia. Por causa do diabetes, Jeny ficou cega do olho esquerdo e hoje enxerga 8% do olho direito. Descobriu ainda insuficiência renal, hoje com 35% de funcionamento dos rins, e tem feito exames para tentar um transplante a fim de evitar a hemodiálise. Uma tuberculose também a deixou com 60% da função pulmonar. Reviravolta A fim de ajudar outras pessoas Jeny escreveu o livro Vida que Segue, contando sua história. “Hoje em dia, é muito mais fácil lidar com a doença do que há 30 anos. Temos muitos recursos. Não precisamos andar por um caminho tão íngreme. Na minha época, era algo revoltante”, diz ela. [[legacy_image_27921]] Apesar do médico querer aposentá-la por invalidez aos 25 anos, Jeny não aceitou. Prestou um concurso público e trabalhou na Secretaria de Esportes de Santos por 11 anos. Lá, conheceu o surf e se viu capaz de aprender o que era um sonho. Também competiu como pessoa com deficiência por três anos no atletismo. [[legacy_image_27922]] “Quero motivar as pessoas por meio da minha história e chamar a atenção para a doença. A prevenção é o mais importante. Temos de lembrar que os médicos são nossos parceiros e devemos fazer o que eles orientam para ficar bem”, recomenda. Quem quiser ajudar com a vaquinha do livro de Jeny pode acessar o link. A doença A falta de sintomas é um dos principais riscos do diabetes. Segundo endocrinologista da BP - A Beneficência Portuguesa de São Paulo, Augusto Cezar Santomauro Junior, a doença pode ter complicações graves em quem não se cuida. “Quando o paciente começa a sentir alguma coisa, normalmente já são muitos problemas aparecendo. Quanto mais cedo tratar, menores os riscos para a visão, os rins e o coração. Essa é uma doença que não pode esperar”. A recomendação é que depois dos 45 anos seja feita uma pesquisa com coleta de exame de sangue a fim de detectar a glicemina no sangue. Antes dessa ideia, é bom estarem atentos pacientes com sobrepeso e fatores de risco, além dos que não fazem atividade física, têm pressão alta e já têm familiares com diabetes. “Existe um caráter hereditário e genético. Quanto mais gente na família com a doença, mais chances de ter, principalmente nos familiares de primeiro grau. como pais, irmãos e filhos”, explica Augusto Cezar. O especialista diz que, com mudança alimentar e atividade física, é possível mudar essa predisposição ao diabetes. “Maior consumo de frutas e legumes, de frutas que não tenham tanto açúcar, evitar os ultraprocessados e praticar uma atividade física por 150 minutos na semana são fundamentais. Pode ser uma caminhada, uma bicicleta ou até alguma atividade em casa mesmo, por conta da covid-19”, recomenda. Para o endocrinologista da BP, o diabetes não impede sonhos, viagens e esportes de aventura. “É preciso seguir uma rotina de controles, mas com orientação profissional é possível viver bem”. Quem concorda com ee é o biomédico responsável pelo Cellula Mater, Carlos Eduardo Pires de Campos. “O diabetes é uma alteração da taxa de açúcar que tem no sangue. O valor normal é de 99 até 119 mg/dl”. No início deste ano, ele diz que foi feita uma campanha voluntária com 160 atendimentos à mulheres. Dessas, 58 apresentaram suspeita de diabetes e 35 não sabiam. “Quando a pessoa tem excesso de açúcar, deixa que todos os órgãos trabalhem na força máxima”. De acordo com Carlos Eduardo, as pessoas devem ter a prevenção sempre em mente e isso nem sempre acontece. “Quando se tem campanha sobre o assunto, as pessoas vão fazer o exame como medicina preventiva, mas a maioria mesmo vai no Google para encontrar uma solução ou segue orientação de algum amigo ou familiar. Isso faz a situação ficar pior ainda”. A partir de janeiro, a unidade do Miramar Shopping do Cellula Mater terá resultado de exames em até uma hora. Na lista dos 35 exames disponíveis estará o de diabetes. “O Labexpress funcionará a partir do ano e que vem e o exame de diabetes será o nosso carro-chefe. A pessoa vai dar uma voltinha no shopping enquanto o resultado rapidamente fica pronto”, diz o biomédico responsável.