O surgimento de uma vacina, como a mais recente contra a dengue, depende de um processo científico complexo e rigoroso, que envolve várias etapas de pesquisa, testes e aprovações (Adobe Stock) O surgimento de uma vacina, como a mais recente contra a dengue, depende de um processo científico complexo e rigoroso, que envolve várias etapas de pesquisa, testes e aprovações. O primeiro passo é a identificação, por parte dos cientistas, do vírus, bactéria ou outro microrganismo responsável pela doença. É feito um estudo de cada estrutura, como infecta o corpo e de que forma o sistema imunológico responde a ele. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Os pesquisadores escolhem qual a melhor abordagem e a melhor estratégia para criar a vacina, podendo ser as versões inativadas (usam o vírus morto), atenuadas (usam o vírus vivo, mas enfraquecido), de subunidade (usam partes do microrganismo, como proteínas), de vetor viral (usam um vírus modificado para carregar partes do agente infeccioso) e de RNA ou DNA (usam material genético para instruir o corpo a produzir uma proteína do vírus e gerar imunidade)”, descreve a mestre em Saúde Coletiva Adriana Regina Stucchi Guimarães, coordenadora pedagógica do Ensino Técnico do Liceu Santista. Sequência Antes de fazer qualquer teste em humanos, os ensaios são realizados em laboratório e em animais. A vacina é avaliada em células e em animais para verificar se ela é segura e capaz de provocar uma resposta imunológica: são os chamados testes pré-clínicos. “Quando chega na fase dos testes em humanos, conhecido como ensaios clínicos, os testes são divididos em três fases. Na primeira, é testada em um pequeno grupo de pessoas para avaliar segurança. Na segunda, é aplicada a centenas de pessoas para verificar a dose ideal e eficácia preliminar. Na terceira, por fim, é testada em milhares de pessoas para confirmar eficácia e detectar efeitos colaterais mais raros”, detalha Adriana. Caso os resultados forem positivos após esse processo, os dados são enviados para órgãos reguladores - como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), no Brasil, Federal Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, ou European Medicines Agency (EMA), na Europa. Eles avaliam a qualidade, a segurança e eficácia do imunizante antes de aprová-lo para uso. “Dando tudo certo, a vacina é aprovada pelas autoridades de saúde e a partir daí a vacina é produzida em grande escala sob controle de qualidade rigoroso e distribuída para a população por meio de campanhas de vacinação. Mesmo após a liberação, a vacina continua sendo monitorada para garantir sua segurança e eficácia a longo prazo, com registros de efeitos adversos e eficácia real na população”, explica a profissional. Trabalho de pesquisa e estudo é contínuo A mestre em Saúde Coletiva Adriana Regina Stucchi Guimarães destaca o nome de Neuza Franzatti, pesquisadora do Instituto Butantan, quando o assunto é vacina. Ela liderou o desenvolvimento do imunizante brasileiro contra a dengue utilizando tecnologia de cultivo celular. Com mais de 40 anos de experiência, Neuza foi pioneira na produção de vacinas em células no País. “Existem muitos pesquisadores brasileiros envolvidos em estudos de vacinas. O Butantan aguarda autorização da Anvisa para iniciar estudos clínicos de uma vacina contra a gripe aviária em humanos (H5N1)”. A própria entidade, em parceria com a Pfizer, está desenvolvendo um imunizante contra o VSR (vírus sincicial respiratório), responsável por infecções respiratórias graves em bebês e idosos. Adriana também menciona o trabalho de pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais no desenvolvimento da vacina Calixcoca, que visa bloquear os efeitos da cocaína e do crack no sistema nervoso. “Os estudos pré-clínicos mostraram resultados promissores, e a vacina recebeu investimentos para avançar nas pesquisas”. No exterior, a Rússia anunciou o desenvolvimento de uma vacina contra o câncer, com previsão de lançamento neste ano. “A dose visa suprimir o desenvolvimento de tumores e metástases, representando um avanço significativo na oncologia”, detalha a mestre em Saúde Coletiva.