Temperaturas elevadas favorecem a perda de líquidos e a desidratação, impondo maior esforço ao sistema cardiovascular (FreePik e Vanessa Rodrigues/AT) Com os termômetros subindo, a preocupação costuma ficar concentrada em problemas como desidratação, insolação e queda de pressão. Mas o calor intenso também exige atenção com a circulação sanguínea. Afinal, temperaturas muito altas podem aumentar o risco de trombose? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A resposta exige cuidado. O calor, isoladamente, não é considerado um dos principais fatores clássicos para o desenvolvimento de trombose venosa profunda (TVP). No entanto, temperaturas elevadas favorecem a perda de líquidos e a desidratação, impondo maior esforço ao sistema cardiovascular. O CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) aponta que o estresse provocado pelo calor pode favorecer desidratação, alterações de eletrólitos e formação de coágulos, especialmente em pessoas vulneráveis. Por isso, durante períodos de calor intenso, os cuidados devem ser redobrados, principalmente entre quem já apresenta outros fatores de risco. O que é a trombose? A trombose venosa profunda acontece quando um coágulo se forma em uma veia profunda, geralmente nas pernas, embora também possa ocorrer em outras regiões do corpo. O problema pode se tornar grave caso uma parte desse coágulo se desprenda e viaje pela circulação até os pulmões, provocando uma embolia pulmonar, situação potencialmente fatal e que exige atendimento médico imediato. Entre os principais fatores associados ao desenvolvimento de trombose estão períodos prolongados de imobilidade, cirurgias de grande porte, determinadas doenças crônicas, câncer, histórico pessoal ou familiar de trombose, idade avançada, obesidade, gravidez e uso de medicamentos contendo estrogênio, como alguns anticoncepcionais e terapias hormonais. Mas por que o calor preocupa? Em dias muito quentes, o organismo aumenta a transpiração para tentar controlar a temperatura corporal. Sem reposição adequada de líquidos, pode ocorrer desidratação. Há uma ressalva importante: não é correto afirmar que simplesmente beber pouca água causa trombose. As evidências sobre uma relação direta entre desidratação e tromboembolismo venoso são limitadas. O CDC observa, por exemplo, que não há evidência direta de que a desidratação provoque trombose associada a viagens, embora teoricamente ela possa aumentar a viscosidade do sangue. Por outro lado, o calor extremo é reconhecido como um fator capaz de sobrecarregar o sistema cardiovascular e favorecer desidratação e alterações circulatórias. Assim, a preocupação é maior quando essas condições aparecem associadas a fatores de risco já existentes. Quem precisa ter mais atenção? Pessoas que já tiveram trombose ou embolia pulmonar precisam seguir as orientações médicas mesmo durante períodos de calor. O cuidado também deve ser maior para quem permanece muito tempo sentado ou deitado, passou recentemente por cirurgia, tem câncer, obesidade ou determinadas doenças crônicas. Gestantes e mulheres no período após o parto também apresentam risco aumentado, assim como pessoas que utilizam medicamentos contendo estrogênio. O risco cresce ainda mais quando vários desses fatores estão presentes simultaneamente. Como se prevenir durante os dias quentes? A primeira recomendação é evitar a desidratação. Em períodos de calor, é importante beber líquidos regularmente e não esperar necessariamente a sede aparecer. O CDC recomenda carregar uma garrafa de água e repor líquidos ao longo do dia, além de limitar bebidas que possam contribuir para a desidratação, como as alcoólicas. Movimentar o corpo também é fundamental. Quem passa muitas horas sentado deve levantar periodicamente e caminhar. Em viagens superiores a quatro horas, por exemplo, a orientação é levantar e andar a cada uma ou duas horas, além de movimentar pés, tornozelos e músculos das pernas enquanto estiver sentado. Nos horários mais quentes, atividades físicas intensas devem ser feitas com cautela. Sempre que possível, exercícios ao ar livre podem ser transferidos para o início da manhã ou fim do dia, quando as temperaturas costumam estar mais amenas. Pessoas com risco elevado de trombose devem conversar com o médico sobre medidas específicas de prevenção. Em determinados casos, podem ser indicadas meias de compressão ou medicamentos anticoagulantes, mas esses recursos não devem ser utilizados por conta própria. Quais são os sinais de alerta? A trombose nem sempre apresenta sintomas. Segundo o CDC, cerca de metade das pessoas com TVP pode não apresentar sinais perceptíveis. Quando aparecem, os sintomas mais comuns são inchaço, dor ou sensibilidade, aumento da temperatura e vermelhidão ou alteração da cor da pele, geralmente no membro afetado. Já falta de ar repentina, dor ou desconforto no peito — principalmente ao respirar profundamente ou tossir —, batimento cardíaco acelerado ou irregular, tosse com sangue, tontura ou desmaio podem indicar embolia pulmonar e exigem atendimento médico imediato. Com períodos de temperaturas muito elevadas, portanto, a regra é simples: hidratação adequada, movimento e atenção aos sinais do corpo. O calor não deve ser tratado como causa única da trombose, mas pode criar condições que merecem atenção especial em quem já apresenta predisposição para a formação de coágulos.