Dor abdominal, inchaço, desconforto digestivo, alterações intestinais e sensibilidade alimentar: de tão comuns para muita gente, esses sintomas podem ser associados a vários males ou até passar despercebidos. Mas em muitos casos podem indicar os chamados intestino irritável e intestino permeável. Apesar de frequentemente serem confundidos, especialistas alertam que as condições não são iguais. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a médica gastroenterologista, Maria Júlia Colossi, entender a diferença é essencial para evitar tratamentos inadequados e interpretações equivocadas sobre a saúde intestinal. “Apesar de serem condições diferentes, elas frequentemente andam juntas. O problema é que muitas pessoas acreditam que são exatamente a mesma coisa, quando na verdade possuem mecanismos e abordagens distintas”. A Síndrome do Intestino Irritável (SII) é considerada um distúrbio funcional gastrointestinal. Isso significa que o intestino apresenta alterações no funcionamento, mesmo sem lesões estruturais aparentes. Os sintomas mais comuns são dor abdominal recorrente, gases, sensação de distensão, diarreia, constipação ou alternância entre os dois quadros. “A síndrome do intestino irritável está muito relacionada à comunicação entre intestino e cérebro. Estresse, ansiedade e fatores emocionais frequentemente influenciam diretamente os sintomas”, destaca a médica. Intestino permeável Já o chamado intestino permeável está relacionado a alterações na barreira intestinal. Em condições normais, o intestino funciona como um filtro seletivo, permitindo absorção de nutrientes e impedindo a passagem de substâncias nocivas. Quando essa barreira sofre desequilíbrios, ocorre aumento da permeabilidade intestinal, permitindo a passagem inadequada de toxinas, partículas alimentares e microrganismos para a circulação. “O intestino permeável está mais ligado à integridade da mucosa intestinal e aos processos inflamatórios. Entre os fatores associados estão alimentação inadequada, excesso de ultraprocessados, álcool, estresse crônico, alterações da microbiota intestinal e algumas doenças inflamatórias”, explica a gastroenterologista. Apesar de serem diferentes, as duas condições podem aparecer simultaneamente no mesmo paciente. “Muitas pessoas com intestino irritável também apresentam alterações inflamatórias e desequilíbrios da barreira intestinal. Isso ajuda a explicar por que alguns pacientes apresentam sintomas persistentes mesmo após mudanças alimentares simples”, afirma. Diagnóstico correto Especialistas alertam que a popularização dos termos nas redes sociais aumentou a automedicação e dietas extremamente restritivas sem acompanhamento profissional. “O intestino é complexo. Nem todo desconforto digestivo significa intestino permeável, assim como nem toda dor abdominal é intestino irritável. A avaliação médica individualizada é fundamental para investigar causas, sintomas associados e estratégias terapêuticas adequadas”, destaca. A gastroenterologista explica que o funcionamento correto do intestino está ligado a diversos fatores que vão muito além da alimentação, incluindo também o sono, a saúde mental, a microbiota, a atividade física e os níveis de estresse. “O intestino está conectado a praticamente todo o organismo e tem ligações, diretas ou indiretas, com todos os sistemas do nosso corpo, por isso, o tratamento raramente envolve apenas um único fator”, finaliza. Intestino irritável Dor e desconforto abdominal: cólicas frequentes, geralmente localizadas na parte inferior do abdômen, que tendem a melhorar após a evacuação Alterações intestinais: episódios de diarreia (fezes amolecidas e frequentes) ou prisão de ventre (dificuldade e pouca evacuação) Inchaço e gases: sensação de barriga estufada e aumento na eliminação de gases Alteração nas fezes: presença de muco esbranquiçado e sensação de esvaziamento incompleto do intestino mesmo após ir ao banheiro Intestino Permeável Trato digestivo: inchaço, dor ou distensão abdominal, gases frequentes e alternância entre diarreia e constipação Sistema nervoso: fadiga constante, dificuldade de concentração e dores de cabeça recorrentes Imunidade e inflamação: dores nas articulações, maior propensão a alergias e queda de imunidade Pele: acne persistente, eczema e psoríase