Durante uma boa noite de sono, o cérebro se ocupa em se limpar, eliminando resíduos que se acumularam durante o dia (Pixabay) Um estudo publicado pela revista científica inglesa Natrure jogou luz sobre uma questão que tem estimulado pesquisadores pelo mundo: a relação da atividade cerebral com o sono. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o texto, durante uma boa noite de sono, o cérebro se ocupa em se limpar, eliminando resíduos que se acumularam durante o dia. Um estudo em camundongos mostra como uma molécula chamada noradrenalina, que causa a contração dos vasos sanguíneos, impulsiona o sistema natural de limpeza do cérebro durante o sono profundo. “Uma descoberta recente é sobre um sistema que chamado de glinfático, responsável pela limpeza do cérebro. Durante o dia, quando a gente está fazendo atividades, trabalhando, resolvendo coisas, o cérebro vai acumulando substâncias, metabólicos, como se fosse um lixo. E a limpeza desse lixo acontece principalmente durante o sono profundo, nas ondas mais lentas”, afirma o médico, neurocientista e pesquisador do Instituto do Cérebro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Sérgio Arthuro. Segundo ele, quando ocorre privação de sono profundo, há acúmulo dos chamados lixos metabólicos, o que podem gerar doenças no futuro, como Alzheimer por exemplo, ou outras enfermidades neurodegenerativas. “A maioria das pessoas hoje está indo dormir muito tarde, principalmente por causa do uso de telas, como celulares e tablets. A luz desses aparelhos bloqueia a melatonina, hormônio que está relacionado com o sono. Só que as pessoas têm que continuar acordando cedo no dia seguinte. Você acaba sendo privado de sono, mas principalmente de sono REM (rapid eye novement, que significa movimento rápido dos olhos), que acontece mais na segunda metade da noite”, descreve o médico e neurocientista. Os episódios de sono REM vão ficando cada vez maiores à medida que a noite parte. Os últimos podem durar até 30 minutos, onde os sonhos são maiores, lembrados mais facilmente. “Trabalhos recentes têm mostrado que o esse sono tem a ver com regulação emocional. Assim, podemos desenvolver doenças como ansiedade e depressão”, acrescenta. Dificuldades Ele acredita que problemas na regulação emocional também explicam a insensibilidade em lidar com o próprio ambiente. “A gente pode levar à extinção da nossa espécie. Então, pode ser que essa dificuldade de lidar com outras pessoas e de lidar com os recursos do ambiente tenha a ver com processos de regulação emocional, que por sua vez tem a ver com o sono”, complementa. O cérebro e seus diferentes ritmos De acordo com o especialista, nosso cérebro possui atividade rítmica e a gente consegue estudar essa atividade através dos ritmos, por meio de uma técnica chamada de eletroencefalografia (EEG). Segundo ele, quando a pessoa está com problema de sono e procura um médico especialista, é pedida uma polisonografia, exame que detecta as doenças do sono. “Os ritmos do cérebro que são detectados pelo EEG, que definem os estágios do sono e os estágios acordados também”. Quando a pessoa está acordada, de olho aberto e atento, o cérebro está trabalhando no máximo que pode. O principal ritmo que o cérebro apresenta é o chamado ritmo gama, que oscila próximo de 40 hertz (hz). Já quando a pessoa continua acordada e de olho aberto, mas desatento, o ritmo cai a 20 hz. Ao fechar o olho para começar a dormir, esse ritmo cai novamente, só que para 10 hz. Enquanto isso, quando a pessoa começa a dormir, no primeiro estágio do sono, o chamado estágio 1, esse ritmo desce a 5 hz. “À medida que o tempo passa, e a pessoa passa para o estágio 2 do sono, o leve ou superficial, qualquer barulho mais forte pode acordar. E os ritmos cerebrais no estágio 2 são próximo de 3 hertz. Já o sono profundo é quando fica difícil de acordar a pessoa - nessa fase, há os ritmos mais lentos, próximos de 1 hz. “Numa noite de sono, esses quatro estágios oscilam, em ciclos de uma hora e meia, mais ou menos. E isso acontece durante a noite toda”, ressalta. Arthuro explica que a noite pode ser dividida em duas partes: a primeira metade é onde acontece o sono superficial, com processo de aprofundamento do sono. Já a segunda metade é composta principalmente sono superficial e sono REM. “É como se preparasse a gente para acordar”, sintetiza.