(Adobe Stock) Regulação do humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal e funções cognitivas. O neurotransmissor serotonina tem uma importância especial no bom andamento do corpo humano. Por isso, o cuidado para preservação dos bons níveis dela é crucial. “No sistema nervoso, essa substância é uma forma que ele tem de se comunicar e, com isso, produzir todas as funções do nosso corpo. Sem os neurotransmissores, não executamos nossas atividades, como pensar, lembrar, andar ou comer”, explica a neurocientista e coordenadora da pós-graduação interdisciplinar em Ciências da Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Alessandra Mussi. Segundo ela, nas células do sistema nervoso, a serotonina é produzida a partir de um aminoácido, o triptofano. “Dentro de uma maquinaria celular, ele vai ser transformado em serotonina, que está diretamente relacionada à regulação do humor, do sono, memória e temperatura corporal, assim como o sistema gastrointestinal”. Depressão Uma disfunção na neurotrans-missão está ligada à depressão e à ansiedade. “Se ela regula nosso sono, sua falta gera distúrbios como insônia ou sono fragmentado. Se controla nossa concentração, pode provocar um momento de impulsividade, de irritabilidade”, explica a neurocientista, que alerta que a baixa concentração ou o desequilíbrio pode gerar tanto compulsão alimentar como a perda completa de apetite. “Também está relacionada à dor”, emenda. Alessandra reforça que não é possível fazer uma aferição do nível de serotonina no corpo com um exame de sangue, por exemplo. “A gente não faz dosagem de serotonina no corpo humano. Existe mediante uma investigação científica, onde a gente teria que abrir o cérebro da pessoa e pegar a serotonina lá de dentro. O que se dosa, no sangue, são metabólitos, naquilo que a serotonina é quebrada depois de utilizada. O principal é o 5-HIA”, pontua. A neurocientista, no entanto, cita um estudo onde a relação da serotonina com a depressão não é simplista. “Utilizaram 50 pessoas que tinham depressão e fizeram a dosagem dos metabólitos de alguns neurotransmissores. Metade tinha baixa concentração de serotonina e a outra metade, de dopamina. Assim, não houve uma conclusão sobre a responsável pela depressão”. Segundo ela, desde então, foi verificado que existe um desequilíbrio neuroquímico no cérebro das pessoas com depressão, que pode ou não estar relacionado com a serotonina, dependendo do paciente. Idade e alimentação Alessandra reitera que o processo de envelhecimento natural, sem patologias, provoca uma queda natural de produção de neurotransmissores, como a serotonina. “Isso não significa diretamente que a pessoa vai ter uma depressão, mas pode ser um fator de aumento de risco de desenvolver esse tipo de patologia”. Segundo ela, há formas de melhorar aspectos ligados a esses neurotransmissores, como alimentação, e exercícios físicos. “Quanto à alimentação, é importante a ingestão de alimentos ricos em triptofano, como ovos, nozes, peixes, frutas e laticínios”. Uma boa noite de sono e exposição ao sol também ajudam a manter bons índices de serotonina. “A luz solar aumenta a vitamina D, que pode auxiliar nesse bem-estar geral do corpo e consequentemente aumentar a produção de serotonina pelo cérebro”, finaliza a especialista.