Evitar esses alimentos e bebidas não significa adotar uma alimentação restritiva ou sem sabor. (Divulgação / Freepik) A hipertensão arterial é um problema silencioso que afeta mais de 30% da população adulta brasileira, segundo dados do Ministério da Saúde. Frequentemente assintomática, a chamada "pressão alta" é uma das principais causas de doenças cardíacas, AVC e problemas renais. E, embora fatores genéticos influenciem, a alimentação desempenha um papel crucial no controle da condição. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Estudos do Instituto Nacional de Cardiologia (INC) e da American Heart Association (AHA) apontam que certos alimentos e bebidas têm efeito direto sobre os níveis de pressão arterial — e seu consumo regular pode sabotar até os melhores tratamentos. A seguir, especialistas detalham o que evitar na sua rotina alimentar se você quer manter a pressão sob controle. 1. Alimentos ultraprocessados e embutidos Presunto, salsicha, mortadela, nuggets, comida congelada, macarrão instantâneo e temperos prontos são campeões em sódio — mineral que, em excesso, retém líquidos e aumenta o volume sanguíneo, elevando a pressão. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o consumo de no máximo 2g de sódio por dia, mas um único pacote de miojo ultrapassa esse limite. Estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alerta que dietas baseadas em ultraprocessados aumentam em 30% o risco de hipertensão. 2. Sal em excesso Parece óbvio, mas vale reforçar: o sal de cozinha é uma das principais fontes de sódio. Mesmo alimentos "caseiros" podem carregar o problema, se forem temperados com exagero. Dica: Troque parte do sal por ervas frescas como alecrim, orégano, tomilho, cúrcuma e alho. Além de saborosos, têm propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. 3. Bebidas alcoólicas O álcool, mesmo em doses moderadas, pode aumentar temporariamente a pressão arterial e, em uso contínuo, compromete o funcionamento dos vasos sanguíneos. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) recomenda a redução drástica ou eliminação do consumo para quem já tem diagnóstico de hipertensão. Segundo estudo publicado na revista médica The Lancet, não há nível de consumo de álcool considerado “seguro” para o coração. 4. Refrigerantes e bebidas adoçadas Além de favorecerem o ganho de peso (outro fator de risco para hipertensão), refrigerantes e sucos industrializados contêm altos teores de sódio e açúcar, prejudicando a função renal e o equilíbrio da pressão arterial. A Harvard Medical School alerta que o consumo diário de bebidas açucaradas pode aumentar em até 20% o risco de desenvolver hipertensão. 5. Alimentos ricos em gorduras saturadas e trans Frituras, fast-food, doces industrializados, margarina e algumas carnes vermelhas contêm gorduras que obstruem os vasos sanguíneos, dificultando a circulação e elevando a pressão. Troque por: fontes saudáveis de gordura como azeite de oliva extravirgem, abacate, castanhas e peixes ricos em ômega-3 (como sardinha e salmão). 6. Cafeína em excesso Embora ainda haja debate, estudos sugerem que o consumo elevado de cafeína — especialmente em pessoas sensíveis — pode causar picos de pressão. Isso vale para café, energéticos, refrigerantes à base de cola e até certos chás escuros, como o mate e o preto. De acordo com a Mayo Clinic, a resposta à cafeína varia de pessoa para pessoa, mas é prudente limitar a ingestão a 2 ou 3 xícaras pequenas de café por dia se você sofre com pressão alta. 7. Pães, massas e cereais refinados Por trás da aparência inofensiva, esses alimentos podem conter altos teores de sódio e açúcar ocultos, além de perderem fibras no processo de refinamento — o que contribui para o aumento da pressão e piora o controle glicêmico. Prefira: versões integrais, sem adição de sal ou açúcar, e sempre leia os rótulos. Evitar esses alimentos e bebidas não significa adotar uma alimentação restritiva ou sem sabor. Pelo contrário: uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais, leguminosas e gorduras boas pode, além de controlar a pressão arterial, melhorar a saúde cardiovascular como um todo. A Dieta DASH, desenvolvida pelo Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos (NIH), é um dos planos alimentares mais indicados para hipertensos, justamente por priorizar esses alimentos e minimizar sódio, gordura e açúcar.