(Adobe Stock) Uma pesquisa realizada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), na Capital e em cidades do Interior, revelou um cenário preocupante: embora a maioria das pessoas tenha aferido a pressão arterial no último ano, ainda existe muito desconhecimento sobre as consequências da doença para o sistema cardiovascular e falta de acompanhamento regular. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Entre os homens entrevistados, 26% não mediram a pressão arterial no último ano. Entre as mulheres, esse percentual foi um pouco menor, mas ainda relevante: 21%. “O controle da pressão arterial é uma medida simples e essencial para a prevenção de eventos graves, como infarto e AVC”, orienta o coordenador da pesquisa e diretor científico da Socesp, Andrei Sposito. Outro dado revelador surgiu quando os participantes foram questionados se lembravam dos valores aferidos. Entre os homens, 25% não conseguiam recordar os números exatos, enquanto 31% relataram níveis elevados e 44% valores dentro da normalidade. Entre as mulheres, o mesmo percentual (25%) não lembrava os valores, 27% relataram pressão elevada e 48% níveis normais. “A dificuldade em lembrar os valores mostra que ainda há lacunas no acompanhamento contínuo da pressão arterial como indicador essencial de risco cardiovascular. Medir é importante, mas compreender e acompanhar os resultados ao longo do tempo é o que permite prevenir complicações”, explica a diretora da Socesp, Fernanda Consolim Colombo, que também é médica assistente da Unidade de Hipertensão do InCor. Epidemia Cerca de 1,4 bilhão de adultos vivem com hipertensão em todo o mundo, segundo a OMS, mas apenas 20% conseguem manter a pressão arterial sob controle adequado. “A grande maioria segue exposta a um risco elevado de infarto, acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca e doença renal”, ressalta Fernanda Colombo. Estima-se que cerca de 30% dos adultos convivam com a hipertensão no Brasil. Para a cardiologista, a base da prevenção e do controle da hipertensão está nas mudanças no estilo de vida. “A redução do consumo de sódio, com limite inferior a 2 gramas por dia, é uma das medidas mais eficazes. A adoção da dieta Dash, rica em frutas, verduras e alimentos naturais, também contribui significativamente para a redução da pressão arterial”, reforça Fernanda Colombo. Segundo ela, a prática regular de atividade física, o controle do peso corporal, parar de fumar e a redução do consumo de bebidas alcoólicas são essenciais tanto na prevenção quanto no tratamento. Andrei Sposito conclui lembrando que a hipertensão é silenciosa, na maioria das vezes, mas seus efeitos não são. “O controle começa com informação, passa pela prevenção e se consolida com acompanhamento contínuo. Nesse processo, a conscientização da população é tão importante quanto os avanços da medicina”, conclui. Sintomas • Dor de cabeça intensa: muitas vezes sentida na nuca • Tonturas e vertigens: podem ocorrer perda de equilíbrio • Visão embaçada ou duplicada: dificuldade para focar • Zumbido no ouvido: sensação de barulho constante • Dor no peito ou palpitações: sensação de aperto no coração • Fraqueza ou cansaço intenso: devido ao esforço do coração • Sangramento nasal: pode ocorrer devido à fragilidade dos vasos • Enjoos ou náuseas: consequência do fluxo sanguíneo reduzido Doença silenciosa A maioria dos hipertensos não apresenta sintomas durante anos, sendo a medição regular da pressão arterial a única forma de detecção. Crise hipertensiva Quando os sintomas aparecem de repente e com intensidade, pode ser uma crise hipertensiva, exigindo atenção médica imediata. Danos a órgãos Sintomas crônicos, como falta de ar, inchaço no corpo ou confusão mental, podem indicar danos ao coração, rins ou cérebro. Fontes: Sociedade Brasileira de Hipertensão e Ministério da Saúde.