A redução da frequência cardíaca e da pressão arterial estão entre as causas mais comuns (Divulgação / FreePik) A ideia de dormir e não acordar mais provoca medo e curiosidade. Embora raro, esse fenômeno é uma realidade documentada pela medicina. Muitas vezes, familiares encontram a pessoa sem sinais prévios de doença grave, o que gera espanto e até especulações. Mas a ciência já tem respostas para explicar por que isso acontece. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! As causas mais frequentes Segundo a American Heart Association (AHA), a morte súbita noturna está fortemente associada a problemas cardíacos. Durante o sono, o organismo passa por alterações fisiológicas, como a redução da frequência cardíaca e da pressão arterial. Para quem já tem predisposição, esse estado pode favorecer arritmias fatais. Outro fator de risco é a apneia obstrutiva do sono, condição em que as vias respiratórias se bloqueiam de forma repetitiva durante a noite. De acordo com estudo da Mayo Clinic (EUA), pacientes com apneia não tratada apresentam até cinco vezes mais risco de morte súbita durante o sono em comparação com pessoas sem o distúrbio. Também entram na lista de causas: Acidente vascular cerebral (AVC) silencioso; Epilepsia noturna, conhecida como SUDEP (morte súbita inesperada em epilepsia); Distúrbios metabólicos, como diabetes descompensada ou baixos níveis de oxigênio no sangue. O papel da idade e dos fatores genéticos Um estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology (2022) revelou que a maioria dos casos ocorre em pessoas com mais de 60 anos, mas também há registros em adultos jovens aparentemente saudáveis. A genética pode desempenhar um papel importante: síndromes como a de Brugada, que afetam a condução elétrica do coração, aumentam o risco de morte súbita noturna. Dados no Brasil e no mundo O Ministério da Saúde estima que cerca de 100 mil mortes súbitas cardíacas ocorram por ano no Brasil, sendo parte delas durante o sono. Nos Estados Unidos, a National Heart, Lung, and Blood Institute calcula aproximadamente 325 mil casos anuais. Embora nem todos os episódios aconteçam à noite, médicos alertam que a cama é, sim, um dos cenários frequentes para esse tipo de ocorrência. Sinais de alerta antes de dormir Especialistas afirmam que, em muitos casos, existem sintomas prévios que passam despercebidos: Ronco alto e frequente; Pausas respiratórias observadas por parceiros de cama; Palpitações ou dor no peito; Desmaios inexplicáveis; Sonolência excessiva diurna. Como reduzir os riscos Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), manter consultas regulares e realizar exames preventivos é a melhor forma de identificar predisposições. Entre as recomendações médicas estão: Tratar a apneia do sono com acompanhamento especializado; Controlar hipertensão, colesterol e diabetes; Evitar o consumo excessivo de álcool e cigarros; Praticar atividade física regular; Investir em hábitos de sono saudáveis. Impacto emocional e social Quando uma morte ocorre de forma inesperada e silenciosa, o impacto para a família é devastador. Muitos parentes relatam culpa por não terem percebido sinais antes. Por isso, campanhas de conscientização sobre distúrbios do sono e doenças cardíacas ganham importância crescente. O veredito da ciência Morrer dormindo não é fruto do acaso. A medicina já mapeou uma série de condições clínicas que aumentam esse risco, principalmente doenças cardiovasculares e respiratórias. O que parece um mistério para leigos, na verdade, tem base científica e pode ser prevenido em grande parte dos casos.