(Adobe Stock) Boa notícia para a ciência no Brasil. O Governo Federal garantiu R\$ 561 milhões para investimentos em pesquisas científicas para saúde neste ano. O recurso consta na Lei Orçamentária Anual (LOA) da União. Até o fim de 2025, serão lançadas novas chamadas, voltadas para as áreas prioritárias: Saúde da Mulher, Oncologia, Doenças Raras e Doenças Negligenciadas. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com o Ministério da Saúde, no ano passado, o investimento em chamadas públicas para contratação de projetos de pesquisa alcançou R\$ 263,8 milhões, contemplando 336 iniciativas no campo científico, por meio de nove editais, envolvendo várias instituições de ensino superior. Para o diretor de Desenvolvimento Estratégico e coordenador adjunto da Faculdade de Medicina da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), Mario Augusto Ferrari de Castro, a importância da pesquisa na área da saúde reside no investimento direto na qualidade de vida da população. “É por meio da ciência que conseguimos desenvolver novas vacinas, medicamentos mais eficazes, terapias menos invasivas e estratégias de prevenção que impactam a vida real das pessoas”, aponta. Para ele, esse tipo investimento tem um papel ainda mais estratégico no Brasil. “Somos um país com enorme diversidade biológica, genética e cultural, o que exige soluções adaptadas à nossa realidade. A pesquisa permite, por exemplo, desenvolver protocolos mais efetivos para o SUS, aprimorar o combate a doenças que atingem majoritariamente populações em situação de vulnerabilidade, e acelerar a incorporação de tecnologias no sistema público de saúde”, ressalta Castro. Maior potencial O médico avalia que o País tem potencial para ampliar ainda mais a verba para investimentos. “O Brasil ainda está aquém do potencial e das necessidades. A proporção do PIB investida em ciência e tecnologia no Brasil é muito menor do que a média dos países desenvolvidos. Se quisermos garantir soberania científica, reduzir a dependência de insumos importados e responder com mais agilidade a desafios como epidemias, mudanças climáticas e doenças emergentes, o investimento em pesquisa precisa ser constante, estratégico e ampliado”, aponta, ressaltando que a ciência exige continuidade, financiamento estável e valorização dos pesquisadores e instituições públicas. Castro entende que, com o aumento dos recursos para pesquisa, especialmente em áreas prioritárias, os impactos esperados são diversos e concretos. “Podemos ter novos protocolos de rastreamento de câncer com maior precisão e custo-benefício para o SUS, tratamentos personalizados para pacientes com doenças genéticas, maior acesso a terapias inovadoras para doenças negligenciadas como a doença de Chagas e a leishmaniose, além de uma política de saúde da mulher mais abrangente e baseada em evidências”. Outro resultado esperado é o fortalecimento da capacidade nacional de resposta a emergências sanitárias, como ocorreu durante a pandemia de covid-19. “Com esses recursos, também se abre espaço para projetos interdisciplinares que integram saúde mental, medicina genômica, inteligência artificial e atenção básica, ampliando o alcance e a resolutividade dos serviços públicos de saúde”, finaliza o profissional de saúde.