Os casos antes dos 50 anos são raros e correspondem a cerca de 3% a 10% dos diagnósticos em populações da Europa e dos Estados Unidos (Adobe Stock) O Parkinson pode surgir antes dos 50 anos de idade, segundo apontam estudos internacionais. Os casos são raros e correspondem a cerca de 3% a 10% dos diagnósticos em populações da Europa e dos Estados Unidos. No Brasil, há escassez de dados epidemiológicos sobre pacientes precoces, mas o diagnóstico preciso é fundamental em todas as idades para a realização do tratamento adequado e garantir qualidade de vida. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A doença voltou a ter repercussão na mídia após a cantora norte-americana Carly Simon, de 83 anos, revelar o seu diagnóstico e anunciar o afastamento da carreira no último dia 27, segunda-feira. Em junho de 2025, o vocalista da banda norueguesa A-ha, Morten Harket, anunciou, aos 65 anos, ser portador de Parkinson. Carly Simon, de 83 anos, revelou que sofre de Parkinson (Reprodução/Instagram) Porém, o neurocirurgião do Einstein Hospital Israelita e médico responsável pela área de Neurocirurgia Funcional da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Marcelo Valadares, especialista em distúrbios do movimento, explica que, na maioria dos casos, o tremor, que é o sintoma mais característico, nem sempre tem como causa o Parkinson. “É comum que pacientes mais jovens com tremores procurem o consultório com a hipótese de Parkinson, mas, na maioria das vezes, essa suspeita não se confirma, e o quadro corresponde a tremor essencial. O diagnóstico diferencial correto é decisivo para evitar interpretações equivocadas e permitir acompanhamento adequado desde as fases iniciais, por isso a avaliação deve ser sempre individualizada”, explica. Vocalista do A-ha, Morten Harket, de 66 anos, revelou diagnóstico de Parkinson em junho de 2025, aos 65 anos (Reprodução/Instagram) Segundo Valadares, o tremor essencial, por sua vez, frequentemente acomete os dois lados do corpo e pode envolver a cabeça e a voz. Já no Parkinson, o tremor costuma aparecer em repouso, muitas vezes começa de forma assimétrica, e pode vir acompanhado de outros sintomas, como lentidão dos movimentos, rigidez muscular e alterações da marcha. No entanto, o especialista esclarece que a forma jovem do Parkinson apresenta particularidades clínicas e biológicas. Esses pacientes frequentemente têm evolução mais lenta e menor risco de declínio cognitivo nas fases iniciais, mas podem desenvolver mais cedo complicações motoras ligadas ao tratamento medicamentoso, como flutuações e movimentos involuntários. O impacto também tende a ser diferente, uma vez que o diagnóstico chega em plena fase de trabalho, com filhos pequenos, construção de patrimônio e autonomia, mudando o planejamento de vida e podendo comprometer a saúde mental. Por isso, o cuidado deve ser individualizado e pensado para o longo prazo, combinando medicamentos, reabilitação, exercício físico e, quando indicado, terapias avançadas. O que é e quais são os sintomas da doença de Parkinson? A doença de Parkinson é uma condição do cérebro que afeta os movimentos do corpo. Ela acontece quando células nervosas perdem a capacidade de produzir dopamina, uma substância importante para controlar os passos, a fala e as ações. É hereditário? A maior parte dos casos continua sendo esporádica, de origem multifatorial, com uma combinação complexa de fatores genéticos e ambientais. “Ter um familiar com Parkinson não significa herança direta ou desfecho inevitável, inclusive para os casos em pacientes jovens”, tranquiliza o neurocirurgião. Apenas uma parcela minoritária dos pacientes apresenta uma ligação genética conhecida. Entre os genes mais estudados estão LRRK2, GBA, PRKN, PINK1, PARK7/DJ-1 e SNCA, com perfis distintos de associação à doença. “Existe uma diferença considerável entre ter uma variante genética associada ao risco e herdar inevitavelmente a doença. Por isso, transformar qualquer caso jovem em hereditário é uma simplificação incorreta, que pode gerar medo entre os membros da família”, explica o médico. Doença deve atingir 25 milhões de pessoas em 2050 Em um cenário de avanço global da doença, um estudo publicado no The BMJ estima que, em 2050, mais de 25 milhões de pessoas viverão com Parkinson. Por isso, para o neurocirurgião, o ponto central é ampliar a conscientização sobre o diagnóstico preciso em todas as idades. “Se o diagnóstico é feito adequadamente, conseguimos orientar melhor o tratamento, esclarecer o papel da genética de forma responsável e reduzir a ansiedade que costuma acompanhar esses casos”, conclui.