O ator britânico Adam Pearson, de 41 anos, chamou atenção ao passar pelo tapete vermelho da cerimônia do Oscar, há duas semanas. O artista convive com uma forma de neurofibromatose abordada na série documental My Amazing Twin (2016) e no filme Um Homem Diferente (2024) (Reprodução/Instagram) O ator britânico Adam Pearson, de 41 anos, chamou atenção ao passar pelo tapete vermelho da cerimônia do Oscar, há duas semanas. O artista convive com uma forma de neurofibromatose abordada na série documental My Amazing Twin (2016) e no filme Um Homem Diferente (2024). Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos e AVC dos Estados Unidos (Ninds, na sigla em inglês), a neurofibromatose é um conjunto de condições genéticas caracterizadas pelo desenvolvimento de tumores no sistema nervoso. Esses tumores podem afetar o cérebro, a medula espinhal e os nervos responsáveis por transmitir sinais entre o cérebro, a medula e o restante do corpo. Na maioria dos casos, os tumores são benignos, mas há situações em que podem se tornar malignos. Os tumores são chamados de neurofibromas e podem se manifestar como manchas marrons na pele, o sinal mais comum da neurofibromatose tipo 1 (NF1) — a forma mais frequente da doença. Tipos Segundo o Ninds, existem três tipos de neurofibromatose: neurofibromatose tipo 1, neurofibromatose tipo 2 e schwannomatose. A neurofibromatose tipo 1 é causada por variantes no gene NF1 e costuma provocar manchas marrons na pele. A condição também pode causar alterações ósseas que levam a deformidades. Esse é o quadro de Pearson. A neurofibromatose tipo 2 (NF2) é mais rara e costuma se manifestar na adolescência ou no início da vida adulta. Ela está ligada ao gene NF2 e se caracteriza principalmente pelo surgimento de schwannomas vestibulares, isto é, tumores benignos que afetam o nervo responsável pela audição e pelo equilíbrio. Por isso, sintomas comuns incluem perda de audição, zumbido e problemas de equilíbrio. Pessoas com NF2 também podem desenvolver outros tumores no cérebro ou na medula, como meningiomas. Por fim, a schwannomatose é considerada o terceiro tipo e a forma mais rara de todas. Ela também provoca schwannomas, mas, diferentemente da NF2, esses tumores geralmente não afetam os nervos relacionados à audição. O sintoma mais comum é a dor crônica, que pode surgir em diferentes partes do corpo devido à presença desses tumores nos nervos periféricos. Tratamento Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), ainda não existe um tratamento específico comprovado para as alterações genéticas associadas à neurofibromatose. O recomendado é que o paciente tenha acompanhamento médico regular. O especialista pode indicar a retirada de neurofibromas que apresentem crescimento rápido ou realizar tratamentos para lesões que causem impacto estético. Prevenção Também de acordo com a SBD, por ser uma doença de origem genética, as medidas de prevenção estão relacionadas principalmente ao monitoramento da condição para evitar complicações. O acompanhamento com especialistas pode ajudar a identificar precocemente o desenvolvimento de câncer de pele, que pode surgir a partir dos neurofibromas. O monitoramento também permite avaliar a necessidade de retirada de tumores de crescimento rápido, evitando que comprimam estruturas importantes do organismo. Superação Nascido em 6 de janeiro de 1985, em Londres, na Inglaterra, Adam Pearson foi diagnosticado ainda criança com neurofibromatose tipo 1 e acabou se tornando um ativista contra o preconceito que envolve a doença. Formado em Administração de Empresas, foi escalado para o filme Sob a Pele, de 2013. Virou apresentador do Channel 4, na Inglaterra, e comandou documentários na BBC. Nos últimos anos, atuou em vários filmes, entre eles Um Homem Diferente, que disputou o Oscar de Melhor Cabelo e Maquiagem em 2025. Contudo, Pearson não foi chamado para a cerimônia — o convite veio para o Oscar deste ano.