Um surto recente na Inglaterra reacendeu o alerta sobre a doença (AdobeStock) Um surto de meningite meningocócica bacteriana na Inglaterra, com pelo menos 20 casos e duas mortes registrados em uma semana, faz despertar a atenção sobre a doença – que não conhece barreiras geográficas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com Klinger Soares Faíco Filho, médico infectologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a meningite é uma inflamação que atinge as meninges, membranas que servem como proteção para o sistema nervoso. Ela pode ser causada por vírus, bactérias, fungos ou parasitas, sendo as duas primeiras situações as mais comuns no Brasil. “No caso do surto (na Inglaterra), é uma meningite meningocócica causada pela bactéria Neisseria meningitidis”, detalha. O médico explica que, embora a meningite possa ser causada por diferentes agentes, os sintomas são semelhantes em todos os casos. A forma bacteriana, porém, tende a ser mais grave. No Brasil Segundo o Ministério da Saúde, o quadro é considerado uma doença endêmica, com casos ao longo de todo o ano. As meningites bacterianas ocorrem com maior frequência no outono e inverno. Já as virais são mais comuns na primavera e no verão. Em 2025, o Estado de São Paulo contabilizou 3.333 casos de meningite entre janeiro e outubro, segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde. Desses, 407 pacientes morreram, incluindo crianças. Os sintomas clássicos são febre e dor de cabeça, sendo que este último é considerado crucial, já que ocorre com muita intensidade devido à associação direta com o sistema nervoso. Ou seja, é uma dor de cabeça diferente daquela percebida em caso de viroses, por exemplo. O paciente também pode apresentar vômitos, prostração (fraqueza extrema) e, em situações mais graves, chegar a ter convulsões. O tratamento deve ser realizado obrigatoriamente em ambiente hospitalar e consiste no uso de antibióticos, aplicados via intravenosa. Transmissão De acordo com o infectologista, ela ocorre por via respiratória. “Acontece quando a pessoa tosse, fala ou beija, por exemplo”. A transmissão, no entanto, é diferente da registrada com o coronavírus, que também se dá por via respiratória. Enquanto o vírus da covid-19 se espalha por aerossóis (partículas minúsculas que flutuam no ambiente), a meningite é transmitida por gotículas, que são partículas maiores. Devido ao peso dessas partículas maiores, elas não flutuam e possuem um alcance limitado de até 1 metro de distância, o que torna a transmissão um pouco mais difícil em relação a de doenças de transmissão por aerossol. Mesmo assim, demanda atenção. De acordo com Faíco Filho, a principal forma de prevenção contra a meningite é a vacinação. Existem diferentes tipos de imunizantes, já que não há um agente específico capaz de provocar a doença. Há várias vacinas disponíveis no SUS (veja ao lado). A vacina contra o sorogrupo B (responsável pelo surto no Reino Unido) está disponível no Brasil apenas na rede privada. O infectologista recomenda o uso para quem vai viajar para o Reino Unido. A recomendação é que a aplicação ocorra de três a quatro semanas antes da viagem. VACINAS BCG: protege contra formas graves da tuberculose, mas também meningite Pneumocócica: contra bactérias responsáveis por doenças pneumocócicas invasivas, como pneumonia e meningite Penta: contra meningite por Hib (bactéria Haemophilus influenzae tipo b) Meningocócica C: contra o meningococo sorogrupo C Meningocócica ACWY: contra o meningococo dos sorogrupos A, C, W e Y. SINTOMAS Febre alta e repentina: geralmente, o primeiro sinal Dor de cabeça forte: de intensidade importante Rigidez de nuca: pescoço duro e dolorido Vômitos e náuseas: frequentemente em jato Sensibilidade à luz (fotofobia): desconforto intenso Alterações neurológicas: confusão mental, sonolência excessiva ou dificuldade para acordar Em bebês e crianças pequenas Irritabilidade e choro persistente Moleira estufada (fontanela abaulada) Recusa alimentar Rigidez no corpo ou membros flácidos