O lipedema não está necessariamente relacionado ao excesso de peso, e pode afetar até mulheres magras (Divulgação) Você já ouviu falar em lipedema? Apesar de afetar milhões de pessoas em todo o mundo, principalmente mulheres, essa condição ainda é pouco diagnosticada e frequentemente confundida com obesidade, retenção de líquido ou celulite. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! No Brasil, o Ministério da Saúde reconhece o lipedema como uma doença crônica e progressiva, que provoca acúmulo anormal de gordura, geralmente nos quadris, pernas e braços, com sintomas como dor, sensibilidade ao toque e inchaço constante. O problema não está necessariamente relacionado ao excesso de peso, e pode afetar até mulheres magras. Estudos indicam que até 11% da população feminina mundial pode ser afetada pela doença, segundo dados da Sociedade Internacional de Linfologia. No Brasil, a condição ganhou mais visibilidade nos últimos anos graças ao aumento dos diagnósticos e à busca por tratamento, inclusive via SUS. O que é lipedema? O lipedema é um distúrbio crônico do tecido adiposo, caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura subcutânea, principalmente em regiões como: Coxas Pernas Quadris Braços (em alguns casos) Essa gordura tem comportamento inflamatório, é dolorosa ao toque, e não desaparece com dietas, exercícios ou drenagens convencionais. O nome vem da junção de "lip" (gordura) e "edema" (inchaço). Apesar disso, o lipedema não é uma simples retenção de líquidos, como muitos acreditam. Quem é mais afetado? 90% dos casos ocorrem em mulheres; Os primeiros sintomas costumam surgir na puberdade, gravidez ou menopausa — momentos de grande alteração hormonal; Pessoas com histórico familiar têm maior risco; Pode ocorrer em mulheres de qualquer biotipo, inclusive magras. De acordo com o Ministério da Saúde, os sintomas do lipedema muitas vezes são confundidos com má circulação, varizes ou obesidade localizada, o que atrasa o diagnóstico correto. Principais sintomas do lipedema Acúmulo simétrico de gordura nas pernas e quadris Sensação de peso, queimação ou dor constante Inchaço que piora ao longo do dia Dificuldade para emagrecer nas áreas afetadas Pele fria ao toque, mesmo com inflamação Formação fácil de hematomas Como é feito o diagnóstico? O diagnóstico do lipedema é clínico, feito por angiologistas ou cirurgiões vasculares. Em alguns casos, são usados exames complementares, como: Ultrassonografia com doppler Termografia Bioimpedância Avaliação linfática e vascular Infelizmente, não há um exame específico e definitivo, o que reforça a importância de profissionais capacitados. O que diz o Ministério da Saúde O Ministério da Saúde passou a reconhecer o lipedema como condição clínica passível de tratamento pelo SUS, com base na Classificação Internacional de Doenças (CID-11). Desde 2023, pacientes podem buscar atendimento especializado em angiologia e fisioterapia linfática em unidades públicas. Quais são os tratamentos para lipedema? Embora não tenha cura definitiva, o lipedema pode ser controlado e tratado com abordagem multidisciplinar: Tratamentos não cirúrgicos: Terapia linfática manual (drenagem especializada) Meias de compressão Fisioterapia vascular Reeducação alimentar anti-inflamatória Controle hormonal Tratamentos cirúrgicos: Lipoaspiração específica para lipedema, com técnica que preserva vasos linfáticos (lipoaspiração tumescente ou vibrolipo) A cirurgia não é estética, e sim terapêutica em casos avançados Consequências do não tratamento: Sem tratamento adequado, o lipedema pode evoluir para: Limitação de movimento e dor crônica Comprometimento psicológico (depressão, ansiedade, isolamento) Lipolinfedema, quando há comprometimento do sistema linfático