A estimativa é de que existam 6.540 homens e 5.680 mulheres com a doença para cada ano do triênio (Adobe Stock) Deste ano até 2028, os casos de leucemia vão ultrapassar a marca de 12.220 por ano no Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca). A estimativa é de que existam 6.540 homens e 5.680 mulheres com a doença para cada ano do triênio. O número é 21% maior que o projetado pelo Instituto em 2016, que apontava 10.070 novos casos, apontando um aumento dos casos nos últimos anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A hematologista Maria Amorelli lembra que, apesar de existir uma crença popular entre algumas pessoas de que a leucemia tem como precursora a anemia, isso não é verdade. “A mielodisplasia (grupo de cânceres do sangue) é uma doença que pode se manifestar com uma anemia, principalmente no paciente idoso. Muitas vezes, principalmente nos mais idosos, o paciente com mielodisplasia evolui para um quadro de leucemia. Essa doença é uma predisposição, quase uma pré-leucemia, onde a gente pode realmente ter uma transformação”, explica a hematologista. Sem causa exata A incidência do problema não tem um motivo comprovado. Segundo Maria Amorelli, na maioria das vezes a leucemia pode acontecer sem uma causa definida. “A gente não consegue estabelecer uma única causa para a doença”, pontua a médica. Apesar disso, a hematologista explica que algumas coisas, normalmente, indicam predisposição à leucemia. “Quem já fez algum tratamento de câncer anteriormente, que já foi submetido a quimioterapia ou a radioterapia, tem maior predisposição. O uso de agrotóxicos e benzeno com alta frequência também estão associados ao maior risco de surgimento da doença”. A hematologista também conta que não há prevenção para a doença. “Não existe prevenção específica para a leucemia. O que sabemos de fato, é que em alguns casos, a hereditariedade aparece entre 7% a 20% dos casos. As pessoas que têm síndrome de Down, possuem um risco maior, uma vez que sua mutação genética tem predisposição à leucemia”. Segunda ela, algumas síndromes ou mutações genéticas podem estar aumentando o risco de vários cânceres, inclusive da leucemia. “A gente precisa de uma vigilância mais precoce, possibilitando algum tratamento mais precoce, com menor risco para esses pacientes”. Anemia Segundo a Organização Mundial de Saúde, a anemia afeta cerca de 30% da população mundial, segundo informações da Organização Mundial de Saúde. A anemia é caracterizada pela deficiência das hemácias encontradas no sangue, substância que leva oxigênio para todos os tecidos do corpo. A anemia tem uma multiplicidade de causas, como hereditariedade, problemas na médula óssea, doenças crônicas, perda de sangue ou, a mais comum, deficiência de uma série de vitaminas no corpo. Cada caso deve ser tratado de forma específica, que deve ser indicada pelo hematologista. A prevenção também é específica para cada tipo, mas quase sempre envolve uma mudança de alimentação. Maria conta que a “anemia por falta de vitamina, como ferro, vitamina B12 ou ácido fólico, pode ser resolvida com uma alimentação variada, mais rica em nutrientes variados”. Agressivo A leucemia é um tipo de câncer agressivo, que começa nas células tronco da medula óssea. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2020 foram contabilizados 474.519 casos no mundo. Manifestação A leucemia pode se manifestar de forma aguda ou crônica, podendo ser uma leucemia linfoide, que atinge alguns tipos de célula e deriva dos linfócitos, como também uma leucemia mieloide, que é derivada dos neutrófilos e das células mieloides. Tipos Aguda: apresenta um crescimento rápido e afeta células jovens (imaturas). Requer internação e tratamento imediato. Crônica: tem um desenvolvimento mais lento e envolve células mais maduras. Linfoide ou Mieloide: refere-se à linhagem de células brancas que foi acometida. Os quatro principais tipos são Leucemia Linfoide Aguda (LLA), Leucemia Linfoide Crônica (LLC), Leucemia Mieloide Aguda (LMA) e Leucemia Mieloide Crônica (LMC). Principais sintomas Fadiga e palidez (devido à anemia). Febre inexplicada e infecções frequentes. Manchas roxas na pele (equimoses) e sangramentos anormais (como na gengiva ou nariz). Aumento do baço ou do fígado e inchaço nos gânglios linfáticos (ínguas).