[[legacy_image_245180]] Fevereiro é laranja. Não apenas pelo sol intenso do verão e por ser a cor que representa o céu no fim de tarde, quando o astro está se despedindo de mais um dia. Há um movimento de conscientização sobre a leucemia e a importância da doação de medula óssea durante o mês. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), apenas em 2022 foram descobertos 11.540 novos casos de leucemia no Brasil, sendo 6.250 homens e 5.290 mulheres. Já o número de mortes chegou a 6.738, sendo 3.703 do sexo masculino e 3.035 do feminino. O instituto estima as mesmas 11.540 mortes ocorram anualmente até 2025 pela doença. Isso corresponde a um risco estimado de 5,33 por 100 mil habitantes. O Inca também explica que a leucemia é uma doença maligna dos glóbulos brancos de origem desconhecida. Sua principal característica é o acúmulo de células doentes na medula óssea, que substituem as células sanguíneas normais. Segundo o instituto, a medula óssea, encontrada no interior dos ossos, contém as células-tronco hematopoéticas que produzem os componentes do sangue. Parte do sistema de defesa do organismo surge dela, por isso a doação é essencial para pacientes de casos graves de leucemia. Além disso, a doação de medula também pode ajudar pacientes com outras doenças que comprometem a produção normal de células sanguíneas, como portadores de aplasia de medula óssea e síndromes de imunodeficiência congênita. Para realizar a doação é necessário se cadastrar no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). A hematologista da Santa Casa de Saúde, Patrícia Nalin de Lucena, explica como se tornar doador. “Ela (a doação) consiste em um cadastramento do doador no Redome. Ele pode ir em qualquer banco de sangue que será redirecionado ao local correto e será coletado tubos de sangue, como se fosse um exame de rotina. Essa amostra irá para um banco e, por esse cadastro, será procurada uma pessoa que precisa de doação e o doador é convocado”, diz. A especialista afirma que, após ser convocado, a doação é realizada por meio de uma máquina e o doador fica por um período de 4 a 5 horas dentro dela para fazer a coleta. “Não precisa ser feita em centro cirúrgico e às vezes o doador fica um dia apenas no hospital para fazer a doação. Apenas em alguns casos é necessário fazer com cirurgia". Ela diz que a leucemia, muita vezes, é diagnosticada com a abertura de um quadro de anemia, aparição de manchas roxas no corpo e infecções de repetição (infecções seguidas em um curto espaço de tempo). "O principal é o diagnóstico precoce e o ideal seria descobrir em dez dias após o aparecimento dos sintomas”, informa. O diagnóstico precoce é essencial para o tratamento da doença, pois a agilidade no descobrimento auxilia no combate à doença e evita a necessidade de um transplante de medula óssea. “Quem tem um prognóstico desfavorável de leucemia, o que vai curar ele atualmente é o transplante. Ele vai ser submetido a uma quimioterapia intensificada e, em seguida, o procedimento”. Diferente da doação de sangue, é possível salvar apenas uma vida por doação de medula óssea e há uma dificuldade em entrar uma pessoa apta a doar. “Por conta da miscigenação, no Brasil é difícil encontrar um doador. O último dado que temos é de que exista 1 compatível para 100.000. Se todos se cadastrarem, há uma maior facilidade de encontrar a pessoa”. De acordo com o Inca, a chance de compatibilidade é de 30% entre irmãos e é muito menor quando a busca é por doadores não-aparentados. Por isso existem os registros em diferentes países e o Redome é o terceiro maior do mundo e representa, para os pacientes brasileiros, a maior chance de encontrar uma pessoa apta a doar. A hematologista reforça que, apesar de parecer um processo complexo, a doação é praticamente indolor, quando não é necessário passar pelo procedimento cirúrgico. “O processo é por aférese (direto pela corrente sanguínea), ele é praticamente indolor. Você coleta por dois acessos periféricos e acontece de uma forma tranquila”. Por isso, a profissional reafirma a importância de participar do cadastramento e manter os dados atualizados, pois o doador pode ser chamado até os 60 anos para realizar a doação e salvar uma vida. “É um ato altruísta que ajuda muita gente”. Referência no segmento de hemonúcleo e cadastro de medula óssea na Baixada Santista, o Hospital Guilherme Álvaro atende os interessados nos serviços das 8 às 12h30, de segunda a sábado. A unidade fica na Rua Oswaldo Cruz, 197, no Boqueirão, em Santos. Responsável pelo hospital, a Secretaria de Estado da Saúde (SES) informou, em nota, que para se tornar um doador, o interessado deverá ir até o hemonúcleo, preencher uma ficha cadastral com o documento de identidade e, no dia, será coletada uma amostra de sangue para verificação de compatibilidade. Ainda, a SES explica que, quando houver necessidade, o doador será comunicado para coleta e destinação. Ainda reforça que o número de cadastrados é limitado e, após verificação, o doador é comunicado quanto à aprovação da possibilidade de doação. Segundo a secretaria, para se tornar um doador de medula óssea é necessário “ter entre 18 e 35 anos de idade, estar em bom estado de saúde, não ter doença infecciosa transmissível como HIV ou hepatite”.