A lua sempre exerceu fascínio e curiosidade sobre quem mora a 384,4 mil quilômetros de distância. Porém, a recente viagem dos astronautas da missão Artemis II da Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (Nasa), nos trouxe um novo olhar para o satélite. Um momento ganhou especial atenção, no último dia 6 de abril: a passagem, por cerca de 40 minutos sem contato com a Terra, permitiu aos membros da cápsula Orion ver o que os olhos humanos jamais haviam testemunhado: o chamado “lado oculto” da lua. Mas de onde vem tamanho encantamento? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A razão é simples: tanto a Terra quanto a lua giram em torno de seus próprios eixos — mas a Lua leva exatamente o mesmo tempo para girar sobre si mesma que para completar uma órbita ao redor da Terra. Esse fenômeno, conhecido como “rotação sincronizada”, faz com que a lua sempre nos mostre a mesma face. A surpresa com a vista do lado oculto da lua foi expressada pelo astronauta Reid Wiseman, comandante da missão Artemis II. “Vimos coisas que nenhum ser humano jamais viu, nem mesmo (aqueles que viajaram nas missões) Apollo”, referindo-se às missões cujo ponto alto foi a chegada ao solo lunar em 1969. A beleza por trás do lado oculto da Lua ficou registrada em muitas imagens captadas durante o sobrevoo de sete horas, que inclui registros de um eclipse solar total, da luz de vários planetas vizinhos e das longas sombras projetadas ao longo da região onde o dia lunar encontra a noite. O “passeio” de 40 minutos foi acompanhado de uma interrupção na comunicação com a Terra. Em seguida, veio o retorno do sinal de rádio nos monitores dos engenheiros, além de uma infinidade de dados e, então, uma voz vinda da cápsula. “Houston, Integrity, teste de comunicação”, disse a especialista da missão Christina Koch ao quebrar o silêncio da Orion. “É tão bom ouvir a Terra novamente”. Durante o período de silêncio, a espaçonave teve que cuidar de si mesma. Relevo A face oculta da lua apresenta características bastante distintas da parte visível: sua crosta é mais antiga e espessa, e o relevo é acidentado, repleto de crateras e cadeias montanhosas. Uma das hipóteses para explicar essa diferença envolve a influência térmica da Terra nos estágios iniciais da formação lunar. A face voltada para o nosso planeta permaneceu aquecida por mais tempo, enquanto a face oposta esfriou mais rapidamente, formando uma crosta mais robusta. Esse contraste faz da face oculta um registro geológico mais preservado, essencial para compreender a evolução de planetas rochosos como a Terra. “Não se sabe ao certo por que os dois lados da lua são tão diferentes, mas todas as teorias apontam para a influência da Terra — um planeta habitado que não pode ser visto nem detectado a partir da face oculta”, afirmou o professor David Galadí Enríquez, da Universidade de Córdoba, em artigo publicado no site The Conversation. Oculto, não escuro Um erro visto por muito tempo foi tratar o “lado oculto” da lua como escuro. Na verdade, o lado oculto é uma definição geográfica, enquanto o lado escuro é uma definição de iluminação e refere-se a qualquer parte da Lua que esteja passando pela noite lunar naquele momento.