Embora muitas infecções sejam eliminadas espontaneamente pelo organismo, alguns tipos do vírus podem causar lesões persistentes (Adobe Stock) Apesar de ser uma das infecções sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo, o HPV ainda é cercado por desinformação e estigmas entre as mulheres brasileiras. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de colo do útero é o terceiro tipo de tumor mais frequente entre as mulheres no Brasil, com cerca de 17 mil novos casos estimados por ano. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A doença está diretamente associada à infecção persistente pelo HPV, que é responsável por mais de 95% dos casos. Ainda segundo o órgão, quando identificado precocemente, o câncer de colo do útero tem altas chances de cura, o que torna o rastreamento e a prevenção estratégias fundamentais. Segundo Mariane Nadai, médica da DKT South America, a falta de conhecimento sobre o vírus faz com que muitas mulheres só descubram a infecção em estágios avançados. “Na maioria das vezes, o HPV não apresenta sintomas visíveis. Por isso, muitas mulheres acreditam que estão saudáveis e deixam de realizar exames preventivos como o papanicolau, que é essencial para detectar alterações antes que elas evoluam para um câncer”. Contato em algum momento A Organização Mundial da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS), aponta que cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas terão contato com o HPV em algum momento da vida. Embora muitas infecções sejam eliminadas espontaneamente pelo organismo, alguns tipos do vírus podem causar lesões persistentes que evoluem para câncer se não forem acompanhadas e tratadas adequadamente. Entre as principais formas de prevenção estão a vacinação, o uso regular do preservativo e a realização periódica de exames ginecológicos. A vacina, disponível gratuitamente no SUS para crianças e adolescentes, é considerada uma das estratégias mais eficazes para reduzir os índices da doença a longo prazo. No entanto, especialistas alertam que mesmo mulheres vacinadas devem manter o acompanhamento médico, já que a vacina não protege contra todos os tipos do vírus. Preservativo Outro ponto importante é o papel do preservativo na redução do risco de transmissão. Embora não ofereça proteção total contra o HPV, seu uso correto e contínuo diminui significativamente a exposição ao vírus e a outras infecções sexualmente transmissíveis. Além disso, o preservativo é um aliado fundamental na promoção da saúde sexual e reprodutiva. Para Mariane, falar sobre HPV é também enfrentar tabus históricos ligados à sexualidade feminina. “Muitas mulheres ainda sentem vergonha de procurar informações ou atendimento médico por associar o HPV a julgamentos morais. Precisamos tratar o tema como uma questão de saúde pública, não de comportamento”. Vacinação Público-alvo: meninas e meninos de 9 a 14 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual, em dose única. Grupos prioritários (até 45 anos): Imunocomprometidos (HIV, transplantados, oncológicos) e vítimas de violência sexual (esquema de 3 doses). Onde encontrar: de graça nos postos de saúde do SUS. Uso de preservativo A camisinha (masculina ou feminina) reduz o risco de infecção, mas não impede totalmente, pois o vírus pode estar presente em áreas não cobertas. Exames de Rastreamento Prevenção secundária Papanicolau (citologia): fundamental para mulheres detectarem lesões precoces no colo do útero, mesmo para quem já foi vacinada. Pesquisa de DNA-HPV: testes moleculares que detectam a presença do vírus.