Nos dias frios, o corpo pede abrigo e a mente também sente (Divulgação / Freepik) Nos dias frios, não é só o corpo que sente: a mente também reage. Dificuldade para sair da cama, irritabilidade, queda na produtividade e até sintomas de tristeza profunda são relatados com frequência durante os meses mais gelados do ano. Estudos mostram que a temperatura influencia diretamente o funcionamento do cérebro, o ritmo biológico e a liberação de neurotransmissores relacionados ao bem-estar. E mais: segundo dados do Ministério da Saúde, os meses de inverno registram aumento nos atendimentos por transtornos mentais e comportamentais no Brasil. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Temperatura e comportamento: existe relação? Sim, e a ciência já comprovou. A temperatura ambiente é um dos fatores externos que mais impactam a regulação do nosso ritmo circadiano — o relógio biológico que determina sono, fome, disposição e humor. Nos dias frios e com menos luz natural, o corpo reduz a produção de serotonina, neurotransmissor associado à sensação de bem-estar, e aumenta a liberação de melatonina, responsável pela indução do sono. O resultado? Mais sono, menos energia e maior chance de desenvolver quadros de apatia, ansiedade e tristeza. Produtividade em queda? Não é só impressão Estudos da Cornell University e da Harvard Business Review mostram que o desempenho cognitivo em ambientes muito frios pode cair até 25%. Isso acontece porque, quando exposto a baixas temperaturas, o corpo prioriza o aquecimento dos órgãos vitais, desviando energia que seria usada para funções como concentração, foco e raciocínio lógico. Um experimento conduzido em escritórios americanos mostrou que a produtividade aumentava quando a temperatura ambiente subia de 20ºC para 24ºC, com redução de 44% nos erros de digitação. No Brasil, o frio é mais sentido nas regiões Sul e Sudeste, mas o impacto psicológico também se espalha por todo o país, sobretudo em cidades com pouca exposição solar no inverno. Inverno e saúde mental no Brasil Dados do Ministério da Saúde mostram que, entre os meses de junho e agosto de 2024, foram registrados mais de 128 mil atendimentos por transtornos mentais e comportamentais nos sistemas públicos de saúde — um aumento de 18% em relação ao mesmo período no ano anterior. Os diagnósticos mais frequentes incluem: Episódios depressivos leves a graves Transtornos de ansiedade generalizada Transtornos adaptativos e estresse Insônia crônica Segundo o Boletim Epidemiológico de Saúde Mental, a sazonalidade climática é um fator de risco reconhecido para agravamento de condições pré-existentes, especialmente em pessoas com vulnerabilidade emocional, idosos e trabalhadores sob estresse prolongado. Transtorno Afetivo Sazonal (TAS): um diagnóstico real Embora pouco conhecido no Brasil, o Transtorno Afetivo Sazonal (TAS) é amplamente estudado em países de clima frio e reconhecido pelo DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Trata-se de um tipo de depressão que surge com maior frequência em outonos e invernos prolongados. Entre os sintomas estão: Falta de energia Aumento do apetite (especialmente por carboidratos) Isolamento social Dificuldade de concentração Desânimo constante sem motivo aparente Estima-se que até 10% das pessoas que vivem em cidades com invernos rigorosos podem manifestar sintomas de TAS. Embora raro no Brasil, especialistas alertam que o transtorno pode ocorrer em regiões de altitude ou com pouca luminosidade. Como minimizar os efeitos do frio no humor e na rotina A psicóloga Luciana Freitas sugere estratégias simples que ajudam a manter a saúde mental nos dias frios: Exposição à luz solar: mesmo nos dias nublados, a luz natural regula o relógio biológico e a produção hormonal. Manter uma rotina de sono e alimentação equilibrada Exercícios físicos regulares, mesmo que leves, como caminhada em ambiente fechado Criar ambientes aconchegantes e iluminados em casa ou no trabalho Buscar apoio profissional ao notar mudanças persistentes no humor, sono ou desempenho