(Adobe Stock) Que os oceanos apresentam vários mistérios, não resta dúvidas. Afinal, são 1,33 bilhão de quilômetros cúbicos, que compõem 97% da água do planeta. Pois ele permite espaços para fenômenos que impressionam quem se interessa pelo mar. Um exemplo disso são os chamados buracos azuis. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A gente conhece hoje apenas 27% do fundo do mar. Nossa ignorância é muito grande, e sabemos mais da superfície da Lua do que dele. Então, conforme vamos descobrindo, surgem novas dúvidas e perguntas, que vão precisar de mais pesquisas”, aponta o pesquisador em ciências do mar Ronaldo Christofoletti. Os buracos azuis são grandes cavidades naturais, geralmente circulares, formadas em rochas calcárias e preenchidas por água. Eles podem estar no mar, em lagos ou próximos ao litoral e são conhecidos pela intensa coloração azul-escura, que contrasta com as águas mais rasas ao redor. A oceanógrafa do Núcleo de Pesquisas Hidrodinâmicas da Unisanta, Regina Ferreira, destaca a mudança brusca de coloração da água, de um azul mais claro, para uma condição bem escura. “O oceano é dividido em algumas zonas de profundidade. A gente tem, até uns 100 metros, uma camada em que a luz consegue entrar com facilidade. A partir dali, com a luz mais fraca, começa a ter menos coloração dos animais, não tem mais algas, porque elas não têm acesso a muita luz. Depois de 200 metros de profundidade, já é uma zona onde a luz não consegue chegar”, aponta. Segundo ela, um buraco azul Taam Ja', na Baía de Chetumal, no México, foi encontrado a 420 metros de profundidade - já numa área sem luz e de coloração mais escura. Cavernas Regina aponta que, em locais onde havia cavernas, e houve subida do nível do mar, essas formações foram cobertas. “Algumas zonas do oceano que tinham estruturas frágeis acabaram cedendo, formando uma caverna. Assim, um buraco azul pode surgir de forma repentina, onde havia uma formação mais sensível. Caso elas desabem e abaixo era uma zona aberta, um buraco, acaba formando um buraco azul onde antes não havia”. Sobre elementos da vida marinha, como peixes, crustáceos e algas, eles também se ressentem da falta de alimentos nas regiões mais profundas, e precisam se adaptar. “Os organismos que moram em locais profundos têm muitas adaptações fisiológicas para poder viver naquele ambiente para se alimentar ou capturar alguma presa, no caso de serem predadores. Já os que dependem de fotossíntese usam processos químicos, justamente por não terem acesso à luz”, emenda. Ela pondera, ainda, que a existência de organismos vivos em ambientes extremos não chega a ser novidade. “No Atlântico, existem peixes cujo ambiente seca e eles têm uma adaptação para ficar ali até vir uma nova chuva criar uma nova poça e o ambiente se tornar novamente aquático”.