Sem motorista, automóveis da empresa criada pelo Google oferecem viagens seguras, confortáveis e acessíveis — mas ainda enfrentam limitações de acesso e cobertura (Adobe Stock) Entrar em um carro que não tem motorista, programar o destino no celular e seguir por avenidas movimentadas com total autonomia. Essa sequência pode parecer cena de ficção científica, mas é a realidade em São Francisco, nos Estados Unidos, onde os veículos autônomos da Waymo One, empresa criada pela Alphabet (holding do Google), já circulam oficialmente em áreas da cidade, transportando passageiros com tecnologia de ponta e segurança surpreendente. Alguns desses carros, inclusive, foram alvo da recente onda de protestos em Los Angeles (EUA) e, neste domingo (8), cerca de cinco veículos autônomos foram incendiados e destruídos na cidade do estado da Califórnia. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em recente visita à Califórnia, testei o serviço em duas corridas, que totalizaram 45 minutos. O carro, um modelo elétrico Jaguar I-Pace completamente adaptado com sensores, câmeras e inteligência artificial, se mostrou extremamente eficiente. Ele circula apenas em trechos urbanos e evita rodovias ou longos deslocamentos intermunicipais. Ainda assim, a experiência é única e altamente recomendável. Durante os trajetos, me senti muito seguro e confortável. O veículo respeita com rigor as leis de trânsito, faz curvas suaves, para com antecedência e se adapta ao tráfego com naturalidade. Na corrida mais longa, de 30 minutos, que fiz acompanhado do diretor-presidente do Grupo Yamam, Eduardo de Pinho Freire, e do presidente da Associação Comercial de Santos (ACS), Mauro Sammarco, o custo foi de US\$ 19 (cerca de R\$ 100), valor semelhante ao de uma corrida comum no Uber nos Estados Unidos. Sammarco, Lopes e Freire fizeram viagem de 30 minutos no carro (Reprodução/TV Tribuna) Mas há um porém: o acesso ao serviço ainda é limitado. Para baixar o aplicativo da Waymo One, é necessário ter uma conta americana na Apple Store, o que frustra muitos turistas e curiosos que desejam experimentar a tecnologia. Não são raros os relatos de visitantes que tentam, sem sucesso, acessar o app em seus celulares brasileiros. Mesmo assim, a experiência é inesquecível para quem embarca em um veículo do tipo. “Você se sente seguro dentro do carro. Teve momentos em que pensei que estava acompanhado de um motorista no veículo, mesmo sabendo que não havia”, comentou Freire. “Não tem como não dar nota 10 para essa experiência em São Francisco. Agora é torcer para que essa tecnologia possa ser aplicada em Santos. Além da questão do transporte em si, se torna um entretenimento, uma atração”, afirmou Sammarco. História e funcionamento A Waymo surgiu em 2009 como um projeto experimental do Google para desenvolver veículos autônomos. Em 2016, a iniciativa se transformou oficialmente em uma empresa independente sob o guarda-chuva da Alphabet. Desde então, a tecnologia passou por testes rigorosos até ser lançada comercialmente em cidades norte-americanas. O sistema utiliza lidar (radar a laser), sensores de proximidade, GPS de alta precisão e câmeras 360° para navegar pelas ruas. Toda a inteligência de direção está a bordo do carro — e não em servidores externos —, o que garante maior rapidez de resposta. O passageiro entra no carro, destrava a porta com o aplicativo e acompanha a rota em uma tela interna, podendo ajustar clima, rádio e dar feedbacks sobre a corrida. Histórico de incidentes Apesar de os carros da Waymo terem um bom histórico de segurança, a presença de veículos autônomos nas ruas não é isenta de controvérsias. Em 2023, outra empresa de carros autônomos, a Cruise, do grupo General Motors, teve as atividades suspensas na Califórnia após um incidente grave com um pedestre. A Waymo, por outro lado, manteve sua licença ativa e ampliou suas áreas de operação. Onde circula Atualmente, os carros da Waymo operam nas cidades de São Francisco e Phoenix, com planos de expansão para Los Angeles e Austin. Em São Francisco, eles circulam principalmente em bairros como Mission, Castro, Noe Valley e Haight-Ashbury, áreas com grande fluxo urbano, mas controladas e mapeadas em detalhe pela tecnologia da empresa. Para quem está na região e consegue acessar o aplicativo, a experiência é transformadora. Não há motorista. O carro parece guiado por um fantasma, mas com mais precisão e paciência do que muitos humanos ao volante. Aos olhos do visitante, a impressão é clara: o futuro já é agora, e ele está rodando pelas ruas da Califórnia.