Dormir pouco ou mal vai muito além de acordar cansado no dia seguinte. Uma análise conduzida por pesquisadores da Universidade Stanford, nos EUA, reforça que sono e saúde mental estão profundamente conectados e se influenciam de forma bidirecional, ou seja, noites mal dormidas aumentam o risco de alterações emocionais e transtornos mentais, enquanto problemas como ansiedade e depressão, por sua vez, prejudicam a qualidade do sono. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os resultados mostram que o sono exerce papel central na regulação das emoções, na consolidação da memória e no equilíbrio dos sistemas cerebrais responsáveis pelo humor e pelo comportamento. A privação de sono, mesmo por períodos curtos, já é capaz de afetar áreas do cérebro ligadas ao controle emocional, tornando as pessoas mais irritáveis, impulsivas e vulneráveis ao estresse, aumentando em até 10 vezes a probabilidade de sofrer de depressão e 17 vezes a probabilidade de sofrer de ansiedade do que a população em geral. De acordo com a Sociedade Mundial do Sono, cerca de 45% da população mundial sofre com distúrbios do sono, incluindo insônia, apneia e outras condições que prejudicam o descanso. No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, cerca de 30% dos adultos que vivem em capitais brasileiras apresenta pelo menos um sintoma de insônia e um em cada cinco brasileiros dorme menos de seis horas por noite. Importante ressaltar que a recomendação para adultos é de no mínimo sete horas de sono. De acordo com recomendações internacionais do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), agência de saúde dos Estados Unidos, adultos entre 18 e 60 anos devem dormir de sete a nove horas por noite, já que durante o sono, o organismo mantém intensa atividade biológica, desempenhando funções essenciais para o equilíbrio do corpo e do cérebro. “O sono é um processo fisiológico ativo. Durante esse período há recuperação de órgãos e tecidos, liberação de hormônios importantes para o metabolismo e o desenvolvimento, restituição do sistema de defesa e processamento das emoções", explica o neurologista do Núcleo de Medicina do Sono do Hospital Sírio-Libanês Lucio Huebra. “Sem um sono adequado, mesmo a alimentação saudável e a atividade física regular não atingem seu pleno efeito para a saúde global”. Quer dormir melhor? Mantenha horários regulares para dormir e acordar, inclusive aos fins de semana. A regularidade ajuda a ajustar o relógio biológico e facilita o adormecer Reduza o uso de telas à noite, especialmente nas duas horas que antecedem o sono. A luz azul emitida por celulares, tablets e TVs pode inibir a produção de melatonina, hormônio essencial para o sono Cuide do ambiente em que irá dormir, priorizando silêncio, pouca luz e temperatura confortável. Um espaço adequado favorece o relaxamento e a continuidade do sono Evite substâncias estimulantes no fim do dia, como café, chás estimulantes, energéticos e nicotina, que podem dificultar o início do sono Crie um ritual de desaceleração antes de dormir, com atividades mais calmas, como leitura, alongamentos leves ou técnicas de respiração, sinalizando ao corpo que é hora de descansar Use a cama apenas para dormir, evitando assistir TV, usar o celular ou permanecer deitado sem sono. Se não conseguir dormir, levante-se e faça uma atividade tranquila até o sono chegar, evitando a frustração de permanecer acordado na cama