O percentual de adultos brasileiros com diabetes passou de 5,5% para 12,9% entre 2006 e 2024, segundo o Ministério da Saúde. No mesmo período, a obesidade cresceu 118%, e o excesso de peso avançou 47%. Para o médico Alexandre Duarte, do Instituto Avantgarde, os dados mostram que parte da população chega ao diagnóstico quando o metabolismo já emitiu sinais por anos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Um dos pontos centrais desse processo é a resistência à insulina, condição em que as células passam a responder pior à ação do hormônio responsável por ajudar a glicose a entrar nos tecidos e ser usada como energia. Na prática, o organismo precisa produzir mais insulina para manter a glicose aparentemente normal. Por isso, uma pessoa pode não ter diabetes diagnosticado e, ainda assim, conviver com alterações metabólicas associadas a fadiga, fome frequente, acúmulo de gordura abdominal, inflamação e maior risco cardiovascular. “O erro é esperar a glicose subir para começar a investigar o metabolismo. Muitas vezes, quando a glicemia aparece alterada, o corpo já passou anos compensando uma resistência à insulina que não foi observada”, afirma Alexandre. Segundo a Federação Internacional de Diabetes, o Brasil tinha 16,6 milhões de adultos de 20 a 79 anos com diabetes em 2024 e está entre os dez países com maior número de casos no mundo. A entidade projeta que esse total pode chegar a 24 milhões em 2050. Embora a resistência à insulina não seja medida da mesma forma que o diabetes, ela é reconhecida como um mecanismo importante na trajetória de doenças metabólicas, especialmente no diabetes tipo 2. A resistência à insulina avança sem sintomas. Cansaço pós-refeições, sonolência, dificuldade para perder gordura, fome pouco tempo depois de comer, vontade frequente de doces, alteração de triglicerídeos, queda do HDL, aumento da circunferência abdominal e pressão arterial alta podem aparecer antes do diagnóstico fechado. Isoladamente, esses sinais não confirmam a condição, mas indicam que a investigação deve ir além da balança e da glicose de jejum. “Uma pessoa pode estar com o peso aceitável, treinar algumas vezes por semana e ainda assim ter um metabolismo pouco eficiente. O corpo não funciona por aparência. Ele funciona por sinais bioquímicos, hormonais e inflamatórios”, diz Alexandre. A discussão também alcança pessoas que buscam emagrecimento rápido. Medicamentos, dietas restritivas e protocolos sem acompanhamento podem reduzir peso em curto prazo, mas não necessariamente corrigem a base metabólica do problema. “Perder peso pode ser importante, mas não é o único marcador de recuperação. O paciente pode emagrecer e continuar inflamado, cansado, com baixa massa muscular e exames que mostram risco futuro”, afirma. Resistência à insulina É uma condição em que as células passam a responder pior à ação da insulina, hormônio que ajuda a glicose a entrar nos tecidos e ser usada como energia. Para compensar, o organismo produz cada vez mais insulina para manter a glicose aparentemente normal. Alta Entre 2006 e 2024, a proporção de adultos com diabetes passou de 5,5% para 12,9% no Brasil. Em 2024, o País contabilizava 16,6 milhões de adultos com a doença, ficando entre as dez nações com maior número de casos no mundo. 24 milhõesde brasileiros poderão conviver com diabetes em 2050, segundo projeção da Federação Internacional de Diabetes. Sinais de alerta Fadiga, fome frequente, sonolência após as refeições e dificuldade para perder gordura podem indicar necessidade de investigação. Outros indícios Vontade frequente de doces, triglicerídeos elevados, HDL baixo, aumento da circunferência abdominal e pressão arterial elevada podem ser sinais de resistência à insulina. Sozinhos, eles não confirmam a condição, mas indicam a necessidade de investigação. Metabolismo Estar dentro do peso considerado adequado não significa, necessariamente, que o metabolismo esteja saudável. Uma pessoa pode apresentar resistência à insulina e outras alterações metabólicas mesmo treinando e mantendo um peso aparentemente normal.