Embora para a maioria das pessoas saudáveis o risco seja pequeno, ele não é zero, e existe variabilidade na resposta individual (Divulgação / Freepik) Com a chegada das estações secas ou em temporadas de rinite e sinusite, muitos recorrem aos descongestionantes nasais para aliviar a sensação de nariz entupido, mas o uso frequente e sem orientação pode trazer riscos sérios à saúde. Estudos e especialistas apontam que essas substâncias, como a nafazolina, fenilefrina ou oximetazolina, agem de forma sistêmica, podendo provocar aumento da pressão arterial, taquicardia, arritmias e até infarto do miocárdio em pessoas predispostas. Saber usar corretamente, por curto período e com acompanhamento, pode evitar complicações graves. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Como funcionam esses descongestionantes e por que afetam o coração Descongestionantes nasais agem por meio de vasoconstrição, ou seja, estreitam os vasos sanguíneos das mucosas nasais para reduzir o inchaço e melhorar a passagem de ar. Contudo, esse efeito não fica restrito ao nariz: a vasoconstrição pode atingir vasos em outras partes do corpo, aumentando a carga de trabalho do coração. ResearchGate+3Harvard Health+3Pharmacy Times+3 Substâncias como fenilefrina, pseudoefedrina, oximetazolina e nafazolina têm ação simpaticomimética (agem como estimulantes do sistema nervoso autônomo), elevando frequência cardíaca e pressão arterial. Para pacientes com hipertensão, doença cardíaca ou com histórico de derrame cerebral, esse efeito pode representar risco acentuado. www.heart.org+2Contemporary Clinic+2 Evidências científicas sobre infartos, arritmias e hipertensão Um estudo publicado no PMC avaliou se pessoas até 70 anos sem histórico de infarto ou AVC têm risco aumentado ao usar descongestionantes. Os resultados apontaram que, em pessoas saudáveis, o risco de infarto ou AVC não foi estatisticamente elevado. No entanto, aquele estudo ressalta que isso pode não se aplicar a pacientes com comorbidades já existentes. PMC Casos clínicos relatam crise hipertensiva e descompensação cardíaca em uso abusivo de sprays nasais com doses acima do recomendado. Em um caso francês, um homem de 40 anos apresentou falência cardíaca ao usar spray nasal com naphazolina e prednisolona em doses elevadas. Revisões médicas e relatórios apontam que o uso prolongado de descongestionantes tópicos como oximetazolina ou fenilefrina pode causar efeito rebote nasal (rinite medicamentosa), além de aumentar a pressão arterial e provocar taquicardia. Quem está mais em risco? Pessoas com hipertensão não controlada; Idosos; Pacientes com doenças cardiovasculares (insuficiência cardíaca, angina, arritmias); Pacientes que usam outros medicamentos que afetam a pressão arterial ou frequência cardíaca; Indivíduos que utilizam descongestionantes de forma contínua ou abusiva. Como usar com segurança Tempo limitado de uso: não usar sprays ou comprimidos por mais de 3 a 5 dias consecutivos no caso de sprays tópicos; para uso oral (comprimidos), seguir orientação médica ou a bula. Dose adequada: seguir exatamente o recomendado no rótulo ou prescrição. Evitar automedicação quando se tem histórico de doenças cardíacas, hipertensão ou outras condições de risco. Alternativas naturais ou menos agressivas: soro fisiológico nasal, inalação de vapor, manter ambiente umedecido, tratar alergias de base. Atenção a efeitos colaterais: se sentir palpitações, dor no peito, taquicardia ou elevação da pressão arterial, suspenda o uso e procure atendimento médico.