[[legacy_image_169509]] Deformações, mutilações e até morte. Esses podem ser os resultados de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos na pele feitos por profissionais sem especialização nessas áreas. Com a volta dos atendimentos eletivos (marcados, sem urgência), após paralisação por causa da pandemia, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) faz o alerta. “Queremos discutir e prevenir os problemas que estão acontecendo na área, por causa da invasão de indivíduos não médicos, como dentistas, farmacêuticos e biomédicos”, afirma o presidente da SBCP Regional São Paulo, José Octávio Gonçalves de Freitas. Segundo ele, além dos cirurgiões plásticos, os dermatologistas estão habilitados a fazer procedimentos estéticos na pele e há cooperação entre as duas especialidades. Na sexta-feira (15) e no sábado (16), a SBPC-SP realizou, pela primeira vez em Santos, a Jornada Paulista de Cirurgia Plástica e Cosmiatria (tratamento de problemas estéticos na pele), que acontece anualmente na Capital. O evento foi voltado aos especialistas da Baixada Santista e levantou a questão sobre os problemas ocasionados por pessoas que fazem atendimentos sem formação adequada. Clique aqui para conferir alguns dados sobre cirurgias plásticas Gravidade“Aplicações de toxina botulínica (botox) em regiões erradas podem resultar em assimetrias faciais e queda de sobrancelha, por exemplo. E não só o botox, mas outras possibilidades de aplicações podem levar a complicações muito mais graves, como necroses, infecções e até cegueira, dependendo de onde se aplica. Temos exemplos catastróficos de pessoas mutiladas por aplicações indevidas por profissionais não habilitados”, ressalta o médico Flávio Mendes, diretor da SBCP-SP. Segundo ele, o problema não acontece nas cirurgias reparadoras, como as de reconstrução de face ou de mama, que são feitas pelos convênios médicos ou pela rede pública. A situação é específica para estética, que exige pagamento particular e tem alta demanda. “Essas pessoas agem principalmente em procedimentos cosmiátricos, que não são necessariamente cirúrgicos e podem ser feitos em consultório, como aplicações, botox e peeling (procedimento que renova a pele por meio da descamação). Até por uma questão de legislação no Brasil, só o médico pode fazer esses procedimentos”, explica Mendes. Retorno GradualAs cirurgias plásticas estéticas praticamente zeraram entre 2020 e 2021, no pior período da pandemia, porque os hospitais interromperam esse tipo de procedimento para reservar leitos aos pacientes com covid-19. Porém, detalha José Octávio Gonçalves de Freitas, o retorno já começou. “Está voltando em um volume constante, com precaução, ainda devagar. E não poderia ser de outro jeito. Não houve mudança no perfil (dos operados), 90% das cirurgias plásticas estéticas estão na face. Depois, vem o aumento de mama (prótese de silicone), lipoaspiração, mamoplastia (seja para reduzir a mama ou corrigir o formato) e abdominoplastia, nessa sequência”.