A distócia de ombro ocorre quando, após a saída da cabeça do bebê, os ombros ficam temporariamente presos em um osso da região pélvica da mãe (Adobe Stock) Complicações durante o parto são consideradas relativamente raras e, em geral, previsíveis. Apesar disso, algumas podem acontecer de forma inesperada. É o caso da distócia de ombro, emergência que pode surgir durante o parto normal. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A complicação ocorre quando, após a saída da cabeça do bebê, os ombros ficam temporariamente presos em um osso da região pélvica da mãe, dificultando a continuidade do nascimento. Essa ocorrência demanda uma ação imediata da equipe médica. Enquanto está preso, o bebê não consegue respirar, porque o canal vaginal comprime o tórax e o cordão umbilical. Se o quadro não for resolvido rapidamente, a falta de oxigenação pode levar a lesões neurológicas e até à morte. Além disso, pode causar problemas para a mãe, como ruptura do útero e hemorragias. Apesar de temido, o quadro é raro. Estudos indicam que a incidência em partos é de aproximadamente 0,2% a 3%, como destaca Anne Pinheiro, ginecologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz. Segundo a médica, os óbitos também não são frequentes, graças aos avanços nas práticas obstétricas. Os maiores riscos envolvem danos neurológicos e paralisia braquial obstétrica – um tipo de paralisia do braço, causada por lesão nos nervos principais do membro. Fatores de risco De acordo com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 50% dos casos de distócia acontecem com bebês grandes, chamados pelos médicos de “macrossômicos”, quando o recém-nascido tem um peso igual ou superior a 4 kg. A médica Rosiane Mattar, presidente da comissão de gestação de alto risco da Febrasgo e professora titular da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que outros fatores de risco são diabetes gestacional e casos em que a mãe possui alguma distorção na região da bacia. Prevenção Raramente é possível prever se a distócia do ombro ocorrerá, o que torna essencial que a equipe médica esteja pronta para agir. De qualquer forma, segundo Rosiane, sempre que o bebê pesa mais de 4,5 kg, recomenda-se que o parto seja feito por cesárea. Mas, quando o peso está entre 4 kg e 4,5 kg, a decisão está sujeita ao histórico da mãe. Diagnóstico e manejo A chave para lidar com a distócia de ombro, portanto, é o diagnóstico rápido e o manejo adequado durante a emergência. “Nesse momento, existem algumas manobras que devem ser feitas rapidamente”, explica Rosiane. Os principais procedimentos incluem mudar a posição da mãe para a postura de quatro apoios, conhecida como manobra de Gaskin, que, conforme a Febrasgo, resolve cerca de 80% dos casos. Entre outras opões estão a manobra de McRoberts, que consiste em flexionar as pernas da mãe em direção ao abdômen, e a aplicação de pressão na região acima do púbis. De acordo com Anne, quando as demais alternativas não funcionaram, manobras adicionais ou até a fratura controlada da clavícula do bebê podem ser necessárias. (Estadão Conteúdo)